Desde a noite de 16/03, quem passa pela Paulista, essa avenida que representa São Paulo e orgulha os paulistanos, é obrigado a enfrentar a vergonhosa visão colorida e iluminada de uma tentativa de ruptura da legalidade constitucional a manchar sua dignidade. Os dizeres em néon no riquíssimo prédio da Fiesp, pedindo "renúncia já", são a exposição mais descarada de que o que se tenta - tirar Dilma "na marra" da presidência - é golpe mesmo.  

A Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que tem como presidente Paulo Skaf, chamado por muitos de "o industrial sem indústria", tem dado claras demonstrações do quanto "apoia" o Brasil e seus trabalhadores.

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Favorável à terceirização, Skaf não se envergonhou de tentar fazer parecer que ela é positiva para os trabalhadores, em propaganda muito bem paga nas principais emissoras do Brasil, quando da votação do projeto na Câmara. Foi apoiado, nessa empreitada, por ninguém mais do que Cunha, o que já diz muito sobre o projeto, que representa os desejos dos empregadores, jamais os dos empregados.

Jean Willys, em uma pequena matéria publicada na coluna do Luis Nassif, no GGN, acusa a Fiesp de ser "sonegadora de impostos em quantias obscenas". O Sesi, também presidido por Skaf, já ganhou fama de fazer concursos, mesmo já tendo cadastro reserva, apenas para levantar dinheiro com o pagamento das inscrições, feito por gente que precisa desesperadamente de um emprego. Em grupos de concurseiros do Facebook, é comum alguém dizer que o Sesi já "virou lenda", por fazer concursos e, muitas vezes, contratar por indicação.

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Será que o dinheiro que levanta nesses concursos pagou aquele mar de patinhos colocados no gramado do Congresso, junto ao pato gigante que, além de tudo, foi plagiado do pato do artista holandês Florentjun Hofman, o Rubber Duck? Fim de mundo.

O fato é que a frase que suja a Paulista, "renúncia já", por si só, já diz tudo. Desde que começou a ser pressionada para renunciar, Dilma já disse e reafirmou várias vezes que não renuncia e que entende que os que pedem sua renúncia o fazem por saber que não há fundamentação legal para seu #Impeachment. E isso é óbvio. Se estivessem seguros de que o impeachment vingaria, não precisariam usar essa tática desonesta de tentar fazer com que ela renuncie antes. Afinal, sua renúncia deixaria a dúvida histórica: se ela não tivesse renunciado, o impeachment se concretizaria? E a versão contada pelos que o defendiam, certamente com ampla divulgação da grande mídia, sempre seria a de que ela renunciou por saber que seria afastada. E, renunciando, livraria seus opositores de entrarem para a história como golpistas.

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É tão óbvio que é vergonhoso.

Se o prédio da Fiesp carregasse a frase "impeachment já", isso já seria triste, porque não se pede um impeachment sem base legal, à custa da democracia. Mas a frase "renúncia já" é a declaração assinada de que eles sabem que não há essa base legal, mas querem, de qualquer jeito, que ela saia e lhes entregue o poder.

Uma coisa é certa: se esses que nunca se conformaram com a reeleição de Dilma empenhassem um décimo da energia e do dinheiro que estão gastando para lhe roubar o poder em propostas positivas e em apoio à presidente, o Brasil estaria caminhando. Essa obstinação, além de doentia, é verdadeiramente criminosa. #Governo #Dilma Rousseff