Há pessoas para as quais, mesmo sem conhecer, abrimos as portas de nossas casas. Isto parece acontecer com Sandra Annenberg. Não somente com ela, mas com tantos outros jornalistas e apresentadores que não conseguem conter a emoção em um mundo que procura escondê-la pode revelar alguma força oculta, mas que ninguém consegue enxergar.

Como são dadas as notícias?

O que nos diz a telinha que fala? Não importa. É uma sucessão de fatos, que são encadeados de forma a surpreender a muitos. Em um momento o âncora, sorrindo polidamente anuncia alguma novidade sobre o papa, que encanta a todos. No minuto seguinte ele anuncia, entre uma aparência de tristeza, que pode se transformar em estupefação ou desprezo, todas elas atitudes surreais, o ataque que o estado islâmico fez a um cinema, onde alguém, que sequer sabe o que tem dentro da cabeça, se auto imola em nome de algo que ninguém mais consegue compreender: a divindade.

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No minuto seguinte ele, alegre e sorridente, chama e dialoga com um comentarista esportivo sobre os resultados da rodada da noite anterior. Os telejornais seguem um roteiro que nenhuma imaginação poderia criar, se os fatos que ali fossem descritos não tivessem realmente acontecido.

Ao comentar a morte da atriz Beatriz Thielman, Sandra chorou. Ao noticiar que uma mãe reencontrou na rua a filha usuária de crack, Sandra chorou. Ao narrar acontecimentos em Paris a repórter não conseguiu segurar a emoção, Sandra chorou.

Aos poucos é possível compreender a atitude de muitas pessoas que ao chegarem em suas casas, a primeira coisa que fazem não é mais ligar a televisão, mas sim desligar este arauto de desgraças em que se transformaram os telejornais. Aos poucos é possível compreender a atitude de tantas outras pessoas que quando recebem suas revistas, da qual são assinantes há muitos anos, com cadeira cativa a cada novo ano, com renovações automáticas que distribuem prêmios, as encostam em um canto.

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A se lamentar a violência em que se transforma a sociedade do espetáculo. Entre dois telejornais, um local e outro em nível nacional, um padrão atual, as emissoras colocam o suprassumo da alienação: novelas que tiram as pessoas de suas vidas normais e as levam por um labirinto de falsas emoções, fictícias, mas tão próximas da realidade que são vividas como se dela fossem reprodução fiel. Um pouco mais tarde, após a catarse coletiva na qual estes elementos estão se transformando, novamente os jornais trazem agora, as notícias que fecham o dia e animam o amanhã.

Não seria melhor pedir que Sandra mudasse de horário e fosse para qualquer outro canal e todos os dias da manhã, abrisse seu sorriso, afastasse com um meneio das mãos ou com um sacudir de cabeça, o cabelo que tantas mulheres querem copiar, para ver se conseguem se locupletar da mesma emoção com que a repórter demonstra, sem medo e receio, quando algo que está descrevendo a choca, na mesma medida em que poderia chocar a quem assiste.

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Seria um bom dia, receber os votos de bom dia de Sandra, sem que ela fosse obrigada a chorar. #Dicas #Comportamento