O ócio é a sua empresa e saber administrá-lo é como angariar peças importantes para o seu sucesso. A subida é íngreme e cheia de pedras. E sabe por quê? Porque em tempos modernos somos refém deste período que na Grécia antiga era abdicado ao pensar. Hoje, estamos enclausurados, preso na “masmorra do nosso ser” em que o pensamento já não se faz livre, mas está aprisionado ao que a mídia direciona.

Na tradição grega, a palavra Ócio (Otium) denominava ocupações com o trabalho intelectual. De uso livre para todos, mas usado por poucos. Isto porque a sociedade era dividida entre cidadãos, não-cidadãos e escravos. Cabiam aos escravos tarefas braçais tidas como indignas para os cidadãos.

Publicidade
Publicidade

A dedicação ao ócio era ativa, embora poucos tivessem acesso a ela. A Ágora (espaço destinado à realização de assembleias) era usada para abdicar de outras atividades e colocar em prática o ócio, não por prazer, mas graças a ele, podiam dedicar-se às artes, filosofia, literatura, à política, música e aos debates.

Para tal, era a importância de se retirar, de entrar em contato direto com o pensar, em silêncio, ou seja, este “ioga” não quer dizer repouso do corpo, pausa para tirar uma soneca, mas abstenção total do mundo, saindo de uma via de mão dupla, para única, do raciocínio lógico.

Em tempo, árduo é encontrar neste período atividades, motivações, reflexões que nos levem a mudar os hábitos durante esta transição.

O que fazer? O que acontece quando temos todo o “tempo do mundo”? Que sentimos desejos e faltam inspirações, causando uma hibernação se não por horas, dias, semanas, ou até mesmo meses que não nos deixam agir.

Publicidade

Estamos usando de modo correto este tempo ou o deixamos no banco de reserva, sendo substituído pelos prazeres da vida que não nos acrescenta em nada?

Contudo, o que fazemos impacta diretamente no sentido das coisas, na tomada de decisões; podemos jogar a vida esperando o resultado da loteria ou simplesmente ganhar a vida buscando conhecimento. Viver o ócio com sabedoria é uma escolha individual. “Só nas horas de ócio se fazem coisas excelentes” - André Gide. #Opinião #Comportamento