Ontem, 25/04, o Senado se reuniu para definir os nomes dos integrantes da comissão especial que votará a admissibilidade do #Impeachment. O primeiro dia de trabalho já começou mal. Em primeiro lugar, vale uma observação sobre a falta de respeito a uma elementar regra da boa educação conhecida, popularmente, como "quando um burro fala, o outro abaixa a orelha". Já tivemos o desgosto de assistir àquela votação na Câmara, que trouxe à tona a absoluta precariedade de cultura e de educação entre os políticos que dizem nos representar. Por puro otimismo injustificado, queremos crer que senadores serão mais bem preparados para o cargo que ocupam. Ser senador não é pouca coisa.

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Há que se ter, ao menos, boa educação. Mas não. De pronto eles nos apontam que estamos enganados. Conversam entre si, reúnem-se em rodinhas, dedicam-se a mensagens no celular e ignoram a fala dos seus pares, que têm que fazer um esforço enorme para serem ouvidos. Pode parecer pouco, mas não é. Essa atitude denuncia total falta de honestidade em relação à causa em questão. Qualquer cidadão honesto que esteja prestes a ocupar a posição de juiz deve ter como premissa maior escutar atentamente todos os argumentos, de um lado e de outro, para poder deliberar a respeito. Os que sequer se dispõem a ouvir mostram não ter a menor intenção de julgar seriamente. Já têm seu voto e não o alterarão, porque não abrem mão de tomar o poder sem eleições. E como querem o poder! É impressionante ver a gana que a oposição tem para assumir um país que diz estar "na pior crise da história!" Nunca se viu tanta ansiedade para agarrar uma batata fervente!

Grande parte do tempo foi consumido com uma questão de ordem que dizia respeito à necessidade de abertura do pedido de impeachment contra Temer, uma vez que ele praticou, como Dilma, as tais "pedaladas fiscais".

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Renan Calheiros afirmou nada poder fazer, até porque a Câmara sequer enviou o processo para o Senado. A Câmara só tem pressa quando a questão é derrubar Dilma.

Lindbergh Farias protestou contra a escolha de Antonio Anastasia, do PSDB, como relator do processo, por ser ele um dos principais aliados de Aécio Neves, que, segundo Lindbergh, é um ressentido, por ter perdido as eleições para Dilma. Aécio o refutou citando uma frase que disse ser de Platão, o que é discutível. Se for, Platão deve ter se revirado no mundo das ideias. Mas a frase é perfeita para quem tem uma vida pessoal conturbada lançar mão, quando em risco: "Grandes mentes discutem ideias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas." Aécio ironizou a rejeição a Anastasia, dizendo que, com certeza, o PT gostaria de colocar alguém de seu partido. Antes disso, Aécio já dissera que se o problema de Anastasia era ser seu amigo, eles poderiam brigar e reatar só ao final do processo. Isso é de um deboche sem tamanho.

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Na verdade, os petistas reivindicavam apenas o uso do bom senso: que nenhum senador do PT ou do PSDB fosse escolhido, por serem esses os partidos diretamente envolvidos na questão. Gleisi Hoffmann lembrou que o PSDB é co-autor da denúncia e, portanto, não teria isenção. Mas, podemos esperar bom senso de uma oposição que paralisa o Brasil desde a reeleição de Dilma, justamente para derrubá-la? Aécio não gosta que se diga isso, mas Lindbergh tem razão. São ressentidos. Se não fossem, teriam ajudado Dilma a tirar o país da crise e esperariam as eleições para tentar de novo. Se o Senado não agir com a devida seriedade, as ruas terão que falar mais alto.

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  #Governo #Dilma Rousseff