Caso o impeachment da presidente Dilma Rousseff se concretize, as comemorações certamente ganharão as ruas.

Que comemorem o impeachment vá lá, uma vez que 'lutaram' tanto para isso. Mas é inconcebível essa idolatria ao pato amarelo (da Fiesp) como o símbolo da libertação do Brasil do lulopetismo, do vagabundismo, da corrupção e da valorização de quem trabalha e empreende. O motivo? A família canarinho, em questão, é de classe média, não são nem ricos (não estão entre os 70.000 multimilionários 'figurões do PIB') nem pobres, ou extremamente pobres (também não estão, portanto, entre os milhões que recebem o bolsa-família). Estão a meio do caminho.

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Sustentam o governo, sofrem com a violência e não recebem nenhum incentivo estatal, como dito nos parênteses. Daí a raiva e o desejo de mudança. No fim das contas, é a pressão deles que tira e que coloca, que soma e subtrai, que condena e que absolve.

Eis o maior erro do governo, corrupção à parte: abandoná-los. Deixar que a crise fosse a gota d'água para uma indignação crescente, sem saná-las. Lula conseguiu tirar milhões da pobreza, vai repetir isso enquanto viver. Dilma deveria, assim, facilitar a vida da classe média - é até mais parecido com o modelo de governo que ela tentou implantar - e o Brasil não estaria num buraco tão fundo. Comunicação é a melhor amiga dos progressistas, é a chave mestra para qualquer projeto desse porte funcionar. Mas faltou. O debate que hoje está polarizado poderia ter sido direcionado pelo governo, Dilma faria isso muito bem.

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Mas não fez. E agora essa classe média volta-se para derrubá-la.

Conseguirão, é obrigatório a qualquer ente de juízo ser realista. Mas continuarão como estão: sustentando um governo que, no fundo é a mesma coisa. Os pobres perderão os seus programas, ainda que paulatinamente. Os ricos permanecerão ricos, não serão sequer abalados, como os intermediários. A onda mudancista destes, ao atingir seus objetivos dos que os manipulam, será cerceada, e ai de quem de novo se insurgir contra esse novo-velho sistema. Não adianta dizer que não vão pagar o pato. Ele já está pago.

  #Manifestação #Crise econômica #Crise-de-governo