Diante da quase inevitável aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado Federal, alguns setores governistas e oposicionistas articulam um movimento por uma nova eleição presidencial, ainda neste ano. No dia 19 de Abril, senadores do PPS, PSB, Rede e do PT protocolaram uma PEC para a convocação de pleito eleitoral em 2016. O apoio a essa proposta tem aumentado nas últimas semanas, diante da baixa popularidade de Temer e de suas ideias econômicas. Por exemplo, o senador Roberto Requião (PMDB), um dos políticos que mais se declaram contra o impeachment nos últimos meses, tem insistido na ideia de que as "Diretas Já" são a única forma de legitimar um governo pós-Dilma.

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Porém, a oposição formada por políticos ligados a Michel Temer, se declarou contra a proposta e a nomeou de golpe. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em abril, caso ocorressem novas eleições, Lula e Marina liderariam o pleito e qualquer candidato do PSDB ficaria fora do segundo turno. O máximo atingido pelo atual vice-presidente seria de 2% de intenção de votos.

Alguns questionamentos, naturalmente, colocam-se diante da proposta. A votação do impeachment na Câmara dos Deputados evidenciou o baixo nível da casa e as pautas-bombas votadas por ela mostraram como a crise brasileira não tem explicação somente no poder executivo. A convocação de eleições presidenciais não sanaria, portanto, o problema do legislativo atual, mas somente trocaria o presidente do executivo (que, naturalmente, terá de negociar com esses deputados).

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Convocar eleições gerais, então, teria um efeito mais positivo à política brasileira. É evidente que, em uma disputa eleitoral, os eleitos podem ser mais representativos ou menos representativos para alguns setores. Uma das maneiras para igualar a divulgação e as oportunidades de vitória dos partidos é, já a partir de uma nova eleição, proibir o financiamento privado de campanha (como foi decidido pelo STF, em 2015).

Sabe-se também que o processo de impeachment contra Dilma baseia-se em argumentos políticos, não jurídicos. Ora, as pedaladas fiscais são artifícios comuns na administração pública e inclusive o relator da Comissão de Impeachment no Senado, o ex-governador de Minas Gerais Antônio Anastasia (PSDB), já as efetuou. Na prática, os mais de 54 milhões de votos obtidos pela petista, nas eleições de 2014, serão mais que anulados por um impedimento da presidente, serão transfigurados em um projeto ultra-conservador para o qual não foram destinados.

Ou seja, o voto no Brasil tem uma fragilidade manifesta e parte disso se deve à participação despolitizada de uma considerável parcela da população nas ideias de governo.

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A democracia, é evidente, não se faz somente por meio de eleições, faz-se também na participação popular no dia-a-dia político. E, para tal, faz-se necessária uma educação política e social. O que se está vendo, atualmente, é um crescente interesse da população pelos assuntos econômicos e de Estado, mas com visões deturpadas por grandes grupos de mídia. A falta de apoio da população às Comissões Populares (propostas por Dilma em 2014 e derrubadas pela Câmara dos Deputados, elas viabilizariam uma participação direta das pessoas nas decisões políticas) só demonstra como, embora haja maior interesse popular, ele deseja ser distante e pouco aprofundado. 

Portanto, por mais que a ideia de novas eleições seja interessante para evitar uma ruptura democrática no Brasil, só há nexo em sua realização, independentemente de quem for eleito, caso o voto popular seja respeitado e uma maior participação da população nas decisões políticas seja viabilizado por uma Reforma Política que acabe com as oligarquias do poder aprofundadas no Brasil contemporâneo.   #Eleições 2016 #Crise-de-governo