Claro que é pegadinha; das boas, admita. Todavia, num mundo tão volátil, quem sabe daqui a alguns anos? 'Nunca diga nunca', assim fala o ditado. Quem sabe se a imprensa, que hoje faz de tudo para destruir o PT, a ele não se alie, se o governo ideal que defendem lhes frustrar, isto é, não seguir os seus 'conselhos'? É como Mônica Iozzi sintetizou: a imprensa pertence a alguém, e vai seguir a linha de opiniões (e interesses) desse alguém.

É utópico, portanto, o conceito de imprensa livre. Essa sentença não se refere ao lado mais obscuro da coisa, como os jornais de propriedades de políticos e jornalistas a serviço de conspiradores.

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Umberto Eco despediu-se da literatura, mostrando isso divinamente, registre-se. Estão, nessa lógica, os blogueiros, seja contrários ao golpe, seja a favor do impeachment; os pequenos portais regionais com os textos que insistem em chamar de artigos de #Opinião, ou qualquer cronista que se atreva a escrever sobre política.

Ninguém está dizendo que estes últimos exemplos são desonestos, ou que seja ruim qualquer um escrever o que desejar. O que é errado é atrelar o conceito de liberdade às publicações. Presas a alo, a ideologias, sempre posicionam-se em algum lado do muro, até em cima dele também é lado, considerando-se a geometria dos paralelepípedos. Há quem diga que "opinião de jornalista não interessa, o que importa é a notícia". Mas não tem jeito: a notícia é dada de acordo com a batuta de quem mantém o veículo.

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O correto, portanto, é entender a mídia como opinativa.

O problema é que tais opiniões acabam passando dos limites ao tentarem influenciar os espectadores. Bater na tecla, quebrá-la, insistir num único tema até que tudo se estabeleça da forma como estão dizendo/escrevendo, ainda que a realidade seja outra. Assassina o debate, pois não se expõe ideias, apenas as ratificam. E é aberta a porta para que se sujem as mãos.

Quem sabe um dia a VEJA, bode espiatorio desse humilde texto, contrate Lula como colunista, se assim mandarem as conveniências? Isso não significaria uma abrupta mudança de postura, mas que nada, absolutamente nada mudou na relação política-mídia.

E que ninguém cresceu com a crise. #Lula #Monica Iozzi