Ontem, 28/04, a Comissão do Impeachment do Senado se reuniu para ouvir Janaína Paschoal e Miguel Reale Jr. sobre a denúncia que fundamenta o #Impeachment de Dilma. Apesar de nossa expectativa em contrário, essas sessões são tão ou mais conturbadas quanto as da Câmara. Com presidência e relatoria do PSDB a julgar denúncia feita por antipetistas e subscrita pelo próprio PSDB, e com esmagadora maioria de senadores a favor do impeachment, o clima é de total animosidade aos poucos senadores que se opõem ao afastamento da presidente. Uma verdadeira guerra. Às objeções dos senadores que defendem Dilma segue-se sempre uma bateria de observações de caráter preconceituoso contra a esquerda.

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Ronaldo Caiado é o campeão no quesito preconceito. Odeia o PT e a esquerda e tenta, o tempo todo, plantar seu próprio preconceito nos outros.

A Senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, tem sido uma verdadeira guerreira a favor de Dilma. Manifesta-se contra os desvios da ordem, briga pelo direito de defesa da presidente, aponta incorreções e lembra, o tempo todo, o quanto foi absurda a escolha de um relator do PSDB para a função. Também guerreiros são Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Fátima Bezerra, espremidos entre os adversários, mas, ainda assim, fortes.

Um dos pontos altos de hoje se deu quando Caiado, impensadamente, expressou, com todas as letras: "Nós temos 16 votos, eles 5. E será assim." Ao que Gleisi Hoffmann respondeu: "Então o que estamos fazendo aqui? Melhor encerrar os trabalhos".

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É exatamente isso. A oposição está lá cumprindo tabela para fazer parecer que isso é um processo legal, que respeitará todas as suas etapas e atingirá seu objetivo honestamente. Mas é tudo mise en scene. Só fazem isso para não entrarem para a história como golpistas. Não percebem que o que já fizeram é como um e-mail que já foi, não tem volta.

Em certo momento, Gleisi Hoffmann disse ter a sensação de "gado no brete indo pro matadouro", porque, independentemente do que fosse falado ali, a decisão já está posta.

Reale fez um discurso político que nem ao menos merece comentários. E então foi a vez da inacreditável Janaína Paschoal, que consegue se superar a cada aparição. Abusou do direito de estar mal penteada, mal vestida e mal maquiada. Gastou metade da uma hora que tinha falando sobre nada. Agradeceu uns e outros, gesticulou teatralmente e enveredou por uma oratória em que abusou também do direito de ser canastrona. Tentou convencer os senadores de que teriam que acolher sua denúncia integralmente.

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Não conseguiu responder por que as pedaladas e os decretos constituem crime de responsabilidade. Chacoalhou a Constituição dizendo-a sagrada, chorou por causa das criancinhas e dos beneficiários do Pronatec, e quase chorou ao pedir desculpas por não saber explicar o que ela mesma escreveu em sua denúncia. Não soubéssemos do que Janaína falava, ainda assim ela nos causaria estranhamento, porque o problema dela não é só conceitual, é comportamental. E é evidente.  

Há uma citação retirada da obra Adeus às armas, de Hemingway, que circula esses dias pela internet, certamente porque tem tudo a ver com o momento que vivemos. Trata-se deste pequeno diálogo:

"- Quem estará nas trincheiras ao teu lado? / - E isso importa?/ - Mais do que a própria guerra."

Se os Senadores que defendem ferrenhamente esse impeachment ainda tivessem, apesar da sede de poder, um pingo de lucidez, ao se perceberem na trincheira ao lado de Janaína Paschoal, mudariam de lado. Mas não esperemos tanto deles.

#Governo #Dilma Rousseff