Foi possível ouvir manchetes radiofônicas (algo démodé). Melhor seria: foi possível ouvir no áudio dos smartphones, cada dia mais baratos, uma notícia que poderia preocupar. Nos dias que se passaram, desde que a notícia foi veiculada, uma pergunta ficou no ar na cabeça de cada um: o que eu tenho a ver com isso?

Onde está a importância da notícia?

Antes as videolocadoras eram abertas a cada esquina. Agora em progressão ainda maior são fechadas. O erro de avaliação mercadológica cometido permitiu que a Netflix tomasse conta do mercado. Muitos não acreditavam, mas isto aconteceu. Foi a repetição do que aconteceu dentro das locadoras.

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DVDs substituíram as fitas de vídeo, estes são substituídos pelo BluRay. Logo todas as lojas devem estar fechadas e não passar de uma lembrança.

Os grandes desktops, colocados nas “vitrines”, onde surpresos usuários enxergavam enormes máquinas que sequer tinham metade, ou muito menos da capacidade de processamento e armazenamento, dos inocentes smartphones atuais, foram substituídos pelos computadores pessoais, estes dominaram até o surgimento dos notebooks, dos netbooks, dos dispositivos móveis. A evolução é contínua.

Agora parece ser tempo de um casamento feliz. Ele comemora bodas da união entre áudio, cine, foto e vídeo. Tudo é colocado nas mãos de crianças que, antes de saberem falar papai ou mamãe, olham com certa intimidade para estas máquinas maravilhosas, capaz de fazer coisas não tão maravilhosas assim.

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Os smartphones parecem ter assumido de forma definitiva o trono de elemento de ligação do cidadão com o mundo.

Será o fim dos desktops. Erra quem afirmar que não. Os grandes servidores colocados na nuvem (não aquela que o poeta Gilliard diz ser ele, quando canta: aquela nuvem que passa / lá em cima sou eu / aquele barco que vai / mar afora sou eu”) devem substituir a necessidade dos grandes dispositivos de armazenamento. A possibilidade de deslocamento sem que se esteja arriscando a pegar um bico de papagaio (osteofitose para os especialistas no tratamento de problemas da coluna), sem nada carregar que não a vontade de chegar, ainda que não se saiba para onde se vai.

Tudo está sendo facilitado a condições inimagináveis. Estaria certo Dimenstein? O jornalista assinala, em cima da notícia, que as pessoas parecem ou sentem-se mais burras, a cada momento que passa. Aumenta o volume de informações no universo em rede. Muitos não conseguem mais acompanhar. Assim para eles, os mais velhos, ainda acostumados a pensar e avaliar cada notícia e não simplesmente engolir sem questionamento a tudo o que se apresenta, como forma correta de efetivar sua cidadania, recolher a sua viola e ir conversar com o pescador (aqueles que preferem a praia) ou ao tocador da boiada (aqueles que preferem o campo).

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Aonde vamos parar? Será que vale a pena tanta evolução? Muitas delas dizem respeito a coisas que não precisamos, nunca usamos e possivelmente nunca iremos usar. Por isto a notícia se torna preocupante. Ela apenas e tão somente confirma a evolução tecnológica e a razão para Dimenstein se expor ao enunciar o que poucos querem enxergar. A tecnologia está engolindo a tudo e a todos.

Assim a resposta ao questionamento inicial pode ser dada. Nós temos tudo a ver com o que foi noticiado. Fomos nós em um esforço conjunto de nos tornarmos cada vez mais próximos da divindade, que criamos inovações que parecem representar cada uma, um novo andar na nova torre de Babel, que poderá novamente fazer com que ninguém mais compreenda a ninguém. #Dicas #Desenvolvimento Tecnológico