Olhando não apenas para a #Escola brasileira, mas, inclusive, internacionalmente, vemos um modelo tradicional e alicerçado no século XIX. Esse modelo apresenta as escolas como ambientes exclusivamente científicos e conteudistas, onde as mudanças pelas quais o mundo tem passado não têm sido levadas em consideração. Além disso, esse modelo consiste na ideia ultrapassada de que todos os estudantes vão para a escola em busca de conhecimentos específicos, que pertencem aos "atores principais" dessa instituição: os professores. Ainda existe a ideia de que a função da escola é apenas ensinar conteúdos. Essa proposta educacional precisa ser revista com urgência, uma vez que, não é de hoje, tem se mostrado ineficiente.

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No caso do Brasil, por exemplo, até um passado recente, as escolas eram acessadas apenas por uma pequena e privilegiada parcela da população. Durante a década de 60, por exemplo, apenas metade das crianças brasileiras frequentava a escola. 

Após o regime ditatorial, em 1985, as escolas brasileiras tiveram que enfrentar o crescimento da demanda, o que pressionou o governo a aumentar o número de escolas para atender toda a população. Por isso, entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, é possível verificar uma mudança notável no sistema educacional brasileiro: a democratização do acesso à #Educação.

Infelizmente, esse avanço quantitativo aconteceu sem considerar o sistema educacional como um todo e sem rever o modelo de escola que antes era oferecido a poucos. Consequentemente, essa abertura para novas perspectivas se uniu a sequelas presentes até hoje, como a evasão, a má qualidade, os altos índices de repetência, a falta de interesse dos alunos e de participação das famílias, etc.

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Assim, os efeitos causados pela expansão quantitativa, mas sem qualidade da educação se tornam cada dia mais evidentes.

É possível dizer que uma das razões do sistema educacional brasileiro estar passando por tantas crises é a de que ele não está preparado para lidar com a diversidade, ou seja, as escolas abriram suas portas, mas permaneceram excludentes, pois não reconhecem sua função em preparar alunos que vivem em um mundo digital e globalizado, que oferece inúmeras formas de acesso à informação.

Hoje, com a infinidade de recursos oferecidos pelas tecnologias, ao alcance de um computador ou de um smartphone, não faz mais sentido ir à escola para aprender apenas conceitos, listas, nomenclaturas.

É claro que o ensino dos conteúdos ainda pode e deve ser a prioridade da escola, mas não somente isso.

Paulo Freire, conhecido como o patrono da educação brasileira, acreditava que as escolas deveriam ser um ambiente interativo que priorizasse o empoderamento dos estudantes. Com isso, ele queria dizer que a escola deveria oferecer instrumentos para que os alunos não se tornassem apenas conhecedores de um objeto factual, mas, também, sujeitos capazes de analisar esses conteúdos criticamente, estabelecer relações entre eles e outros conteúdos aprendidos, seja na escola ou pela própria experiência, e, assim, se tornassem aptos a transformar o conhecimento, garantindo sua evolução.

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Concordando com ele: é preciso que a escola seja reinventada, o que significa que essa instituição deve ser considerada um recurso de empoderamento para a população, criando uma nova consciência intelectual, coletiva e participativa. #Opinião