Ainda bem que não há, até o que consta, nenhum desavisado sonhador que tenha postado uma hastag 'não vai ter olimpíada', como teve o 'não vai ter copa'. É utópico demais acreditar que uma simples, mísera hastag destrua um evento planejado há anos, extremamente lucrativo para quem o promoveu. No máximo, pode soltar uma urucubaca medonha, uma onda de azar que faça tudo dar errado; o que não aconteceu com a Copa, ao menos enquanto ocorria o evento - não esqueça o manto de corrupção levantado pouco depois.

Cabe às autoridades competentes acreditar em absoluta, imanente e  indiscutivelmente tudo. Tudo mesmo. Desde manifestações e obras desabando (o que é criticamente provável que aconteça) ao suicídio de algum louco do Estado Islâmico, que eventualmente possa matar alguns estrangeiros que se perguntarão: "aqui também?" (o que não é muito crível).

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O fato é que estamos minimizando os eventos de agosto. Não que tenhamos valorizado a Copa, o Pan, a JMJ e tantas outras coisas muito antes que acontecessem, mas sim, apenas na hora e vez em que ocorrem. Ao abandonar o pessimismo, intuímos que há grande probabilidade de tudo dar certo, de tudo ser lindo. Não perfeito, pois não há nada perfeito no Brasil - quem sabe no futuro. Se bem que a realidade atual está bem longe do futuro que sonhavam os políticos que nos redemocratizaram. Bem longe mesmo.

É justo que a justificativa seja o fato de se ter mais coisas a se preocupar, pelo menos agora. Seja com o emprego perdido, a saúde travada num hospital falido e tantos outros problemas nunca sanados, já de domínio público - registre-se que, se é de  domínio público, nunca se resolveu: da traição de Capitu à violência, culpa do Estado.

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Mas é de eventos catastróficos que artistas também tiram inspiração. Cada um defina o que acha - bizarro ou divertido - imaginar um cenário de filme como 2012, ano que encerrou o fatídico calendário Maia (será que é por isso que de 2012 pra cá tudo vem acontecendo fora dos padrões comuns? fica a teoria de conspiração) Um desastre que faça as Forças Armadas bloquearem os sinais de celulares, que seja pouco o contingente de oitenta mil policiais para a segurança do Rio, e similares.

Desastre mesmo é saber que tudo isso vai passar e as coisas ficarão exatamente como estão, ao menos por um longo (e tenebroso) tempo. #Opinião #Rio2016 #Crise no Brasil