Quando Lula resolveu que iria trazer as Olimpíadas para cá, imaginou um cenário de perfeição e estabilidade, a perpetuação do momento que sua gestão vinha passando, em que quase tudo estava dando certo, pela primeira vez na história deste país, e que ele vai morrer dizendo. Não passava pela cabeça do criador do PT um cenário de crise pior do que o dos tempos da "herança maldita" de Fernando Henrique Cardoso e seu ninho tucano, em que os brasileiros além de estarem sofrendo pelos males de sempre, falidos e mal pagos como nunca, se entrincheirassem em dois lados - querendo ou não, tudo se resume em dois lados.

Mas esses males de sempre agora saturam uma situação insustentável, chegou o ponto de inflexão.

Publicidade
Publicidade

Trocando em miúdos, agora é a hora e a vez em que as coisas deveriam se modificar; o momento em que a inovação é mais que bem vinda, e necessária, na gestão e no comportamento das instituições que nos regem.

Deveria, mas não está acontecendo. A morte de Ana Beatriz, baleada à luz do dia, numa manhã de sábado, que sua família será forçada a nunca esquecer. Uma vida ceifada aos 17. Vítima de um horror que assola a cidade maravilhosa, sede dos jogos, de norte a sul, de leste a oeste, de alto a baixo. Na favela ou na Del Castilho, jovens vidas se vão, deixando um rastro, para quem fica, de indignação e tristeza. De fato, se fosse hoje a escolha, o Comitê Olímpico Internacional passaria longe do Cristo Redentor e de seus braços abertos que há muito esqueceu aquela cidade. Os homens da terra que se resolvam com os seus problemas.

Publicidade

Mas não se justifica a ida de inocentes pelos erros dos outros. Inocentes: Etimologicamente, alguém sem culpa, sem mácula. Um conceito banal, pois nos acostumamos a utilizar palavras sem sentir o seu peso. Logo, sem dar o seu valor. Falar em inocentes que se vão, nessa premissa, tornou-se algo corriqueiro: é mais um, notícia apenas hoje, amanhã isso ocorrerá com outro e continuará ocorrendo. É retirar, dessa forma, o peso dos fatos, desconsiderar a dor de uma mãe que vai passar o seu 'dia' velando uma filha que não teve como se despedir. Pois é, mais uma. Em anos passados, casos idênticos ocorreram, e ocorrerão em anos futuros, sendo apenas mais algumas fotos, mais alguns textos, mais alguns casos de polícia, mais alguns processos na justiça.

A crise ocorre porque tudo é igual, é só mais uma. Por isso a história se repete, como um cachorro a perseguir o próprio rabo. A Olimpíada, nem nenhum outro grande evento não vai trazer nada de novo. Pois é muito fácil gastar um obras que desmoronarão.

Bom mesmo seria investir em inovação e criatividade, coisa que o brasileiro que sofre é PhD. A França se modificou com a revolução, a Inglaterra se reinventou após a Segunda Guerra. Tomara que uma dia possamos também fazer isso, do nosso jeito, com a nossa cara. Até lá, ainda choraremos neste grande purgatório. #Opinião #Crise no Brasil