Adeptos da prática naturista vão realizar, no mês de junho, um evento festivo fora dos padrões tradicionais: o “1º Forró Nu”, a ser realizado em Massarandupió, uma praia nudista, localizada no Litoral Norte da Bahia. A proposta é que o público interessado brinque completamente nu.

Festejos juninos ocorridos no Nordeste tem como ritmo protagonista o Forró - gênero musical que integra a identidade cultural da região. Caracterizado pela dança abraçada a dois, essa manifestação festiva atrai, anualmente, milhares de turistas e cria oportunidade para a saudável “paquera”. Mas, no caso de um modelo de Forró tendo os participantes dançando nus, como evitar que essa iniciativa seja associada a um evento obsceno e como preservar a imagem do espaço naturista enquanto local onde as pessoas exercem a sua liberdade sob o amparo do respeito?

Surgido no século XX, na Alemanha e na França, o naturismo moderno consiste em um conjunto de princípios éticos e comportamentais que propõe um estilo de vida alicerçado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e cultuando a vida ao ar livre, incluindo a prática do nudismo.

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Considerando que a sociedade brasileira, de um modo geral, foi socializada em um ambiente que recebeu fortes influências da ética religiosa, é compreensível que hajam “choques” e “resistências” por parte das pessoas diante da prática nudista. Trata-se, nesse caso, de uma manifestação cultural e modelo de vivência bem diferentes daqueles que predominam no nosso país. Isto explica o “choque” e a dificuldade da sociedade brasileira em aceitar esse estilo de vida mais livre.

No imaginário popular, a ideia do nu ainda está muito vinculada à sexualidade, erotismo e sensualismo. É esse pensamento que induz uma pessoa leiga sobre a prática naturista a construir uma imagem deturpada, preconceituosa e etnocêntrica acerca desse estilo de vida. É exatamente esse, acredito eu, o maior desafio dos organizadores do referido Forró: contribuir para “quebrar” a visão estereotipada de que praia naturista é um local relegado ao sexo livre, à obscenidade e promiscuidade sexual.

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Certamente, mudar a maneira de encarar o nu não é tarefa fácil, sobretudo porque fomos socializados em um meio cultural onde o nu é algo que impõe constrangimento e, portanto, dever ser evitado, escondido, salvo em algumas ocasiões. Entretanto, entre os adeptos da prática naturista não há espaço para a vergonha, mas para o respeito. Numa praia nudista os visitantes devem cumprir rigorosamente as normas de conduta.

A Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) estabelece um código de ética para garantir um padrão de comportamento entre as suas áreas filiadas, dentre elas, a praia de Massarandupió, onde acontecerá o forró.

Praticar atos de caráter sexual ou obscenos em praias nudistas, ou assediar outros naturistas, são ações rigorosamente proibidas. Além disso, não é permitido fotografar ou filmar outras pessoas sem a autorização delas. São essas e outras regras que vão assegurar ao público que a festa será realizada sob a égide do respeito, preservando a imagem dessas áreas no país. #Entretenimento #Turismo #Viagem