Eles andam pra lá e pra cá, você os vê na TV, parecem seres humanos normais. Mas não se engane: seu substrato está pútrido. Como têm dinheiro, pois vivem em função disso e o aceitam seja lá de onde vier, à custa seja lá de quê, vestem-se bem, perfumam-se, frequentam salões de beleza, barbearias de luxo... Conseguem uma aparência que engana desavisados, mas não quem tem um pingo de intuição. É bater o olho e ver almas vendidas vagando como zumbis atrás de mais dinheiro e de mais poder. São insaciáveis, ou se contentariam com corrupçõezinhas capazes de lhes garantir uma boa vida. Mas não, a ganância é infinita, é preciso ter dinheiro em quantidades impossíveis de se gastar.

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Talvez imaginem que o dinheiro suprirá a falta que têm de alma, esse vazio que deve doer muito, ou não se sujeitariam a isso.

Eles estão em todos os lugares: na Câmara, no Senado, na grande mídia, no empresariado, e estamos prestes a entender se também no STF. Chantageiam e são chantageados. Subjugam e são subjugados. Uns mandam, outros obedecem. Mas a motivação é a mesma: dinheiro. Dinheiro compra poder e o poder os protege de terem que responder pelos delitos que cometeram para ter dinheiro e... isso não acaba.

Quando, entre eles, acontece de haver algum que, embora da mesma espécie, se rende a um lampejo de honestidade, como aconteceu com Waldir Maranhão, eles se unem no objetivo comum de acabar com o inimigo, que coloca em risco seus toscos planos. Tão flagrantemente toscos que não enganam mais ao mais humilde e desinformado cidadão.

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Mas que prosperam, porque alicerçados por uma legião muito mais numerosa do que os pequeninos grupos de gente honesta, que pensam na política como meio para o bem comum. A esses raros seres humanos os zumbis atacam com as mordidas da desqualificação, da coação, da ameaça, da chantagem. E é assim que um ex-reitor é tratado como um analfabeto, que alguém que ocupa um lugar que é seu por direito, porque foi eleito, é tratado como empecilho a ser descartado com urgência, é assim que alguém que até então era protegido se vê exposto como uma banana descascada, porque não serve mais aos interesses de seus "pares". É assim que alguém que pratica um ato motivado revoga o próprio ato em menos de 12 horas sem qualquer explicação, abrindo mão da própria dignidade, para não ser mastigado e engolido por zumbis famintos de poder.

Zumbis não pensam, apenas seguem em frente pra matar a própria fome. O pensamento deles cristalizou-se há séculos e sua rede neuronal é composta quase que somente de puro preconceito.

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Em seu cérebro endurecido há lembranças estáticas da escravidão, que lhes causam profunda melancolia. Há convicções petrificadas de que todas as diferenças são abomináveis, de que só alguns merecem ser felizes, de que há quem nasça para servir e quem nasça para ser servido. Há uma fé em Cristo embolorada pelo constante contato com a hipocrisia. E há imagens amarelecidas, imutáveis, que serão eternamente invocadas, como as mortes causadas pelo Stalinismo, para que possam seguir atacando o desejo de um mundo melhor, a compaixão e o amor à liberdade e à igualdade como doutrinas sanguinárias. É isso. Eles têm desculpas a que recorrem quando querem praticar a violência. Como fizeram nesta segunda-feira, revivendo a ditadura, ao prenderem 73 participantes da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, por dizerem o que eles não queriam ouvir. Porque esses zumbis odeiam quem grita em alto e bom som o adjetivo que lhes veste como luva: golpistas.

#Governo #Dilma Rousseff #Impeachment