Por descuido, pesquisando no YouTube, cliquei em um vídeo da ex-"jornalista" daquela revista cujo nome não falo, Joice Hasselmann. Confesso jamais ter lido uma linha do ela escreve ou assistido a qualquer vídeo dela. O que me instigou foi o título: "O Ministério Temer e o discurso burro e sexista". Lá fui eu, masoquista.

A tese de Joice é de que precisamos melhorar o nível do discurso, porque ficar focando no fato dos ministros serem todos homens e brancos é "hipocresia". Assim mesmo, com "e". Joice diz que isso "é estupidez dessa política de cotas, que foi implantada na cabeça de um monte de gente por essa turma do PT, que é horrorosa!" E há quem ache que o ódio ao PT não é fruto de um jornalismo fascista.

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Ela crê que a competição está aí, e que quem tem competência consegue seu lugar no mundo. Que Temer montou esse ministério porque ele "pode". Como se devêssemos fazer tudo o que podemos. Diz Joice que Temer escolheu pela competência, não pelo sexo ou pela cor. Não perderei tempo falando sobre essa "desargumentação", porque não vale a pena. Mas meu coração chegou a acelerar enquanto eu assistia ao vídeo. Pessoas como Joice propagam uma ignorância tóxica que faz muito mal ao Brasil. Estudar lhe faria bem. Um curso de Filosofia ou História, se nele conseguisse ingressar, seria ótimo.

Vamos ao que interessa. O que representa de fato um ministério formado por homens, já de certa idade, brancos e, até onde sei, na sua maioria ricos? Representa, sim, um sério problema. É claro que um ministério não se forma tendo como fundamento o número de negros, brancos, homens ou mulheres que o integrarão.

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A escolha tem que ser feita pela competência. Mas o Brasil é um país totalmente plural e temos, hoje, pessoas extremamente competentes em todas as áreas, das mais variadas cores e gêneros. E nosso cenário político conta com negros e mulheres brilhantes. Isso é inegável. 

Um ministério só masculino e branco não representa nossa sociedade. Mas o problema mais sério é anterior. Está na cabeça dos que ajudaram a pensar esse ministério. Certamente, eles não cometeram essa impropriedade de caso pensado. O que aconteceu foi que não conseguiram, nesse nosso cenário tão rico e diverso, enxergar nenhuma mulher e nenhum negro que considerassem competentes para assumir um ministério, e isso nada tem a ver com competência. Tem a ver com sua própria cegueira ao que lhes é "estranho". Tem a ver com PRECONCEITO. Eles enxergam apenas seus iguais e apenas por eles têm consideração. E isso é grave. Trata-se disso não terem conseguido votos para se eleger nos quatro últimos mandatos e terem que apelar para um golpe.

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Foram cegos às necessidades do povo. São exatamente essa elite branca, machista e conservadora que se acha melhor e que se considera com autoridade para definir os destinos de todos, desconsiderando suas próprias reivindicações. Creem ter a posse da verdade. Que mulher já não teve a experiência de tentar participar de uma conversa entre machistas que não a escutavam, mesmo que ela gritasse? Que negro e que pobre já não se sentiu invisível em meio a brancos e ricos? Para eles, os "outros" não existem. E é isso o que podemos esperar desse ministério: total cegueira aos reais problemas dos "outros". E o povo se constitui de "outros", porque o "povo" não é igual a eles. As reais necessidades do povo certamente serão ignoradas. Sua presença não será notada, suas vozes não serão ouvidas.    

Veja o inaceitável comentário de Joice Hasselmann: 

#Governo #Impeachment #Michel Temer