O que pensarão de nós, os deuses gregos, ao verem sua festa minimizada, tratada como algo menos importante? Qual justificativa buscarão para, ao menos, tentar compreender porque isso acontece?

Pois as Olimpíadas aí estão, a tocha já está perto de seu destino final. Os deuses gregos que perdoem nossas faltas eternas, da falta de explicações à nossa complexidade, que nunca entenderemos. Pois o que é a crise senão nossa complexidade perene, que vem a tona para expor nossos problemas diversos e inconclusos que dela provém? 

A ciclovia que desaba e mata já está de novo funcionando, como se nada houvesse ocorrido. É o que querem que pensemos: que nada ocorreu, que está tudo ótimo.

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E esquecemos, como os dóceis cordeirinhos que somos. 

Um final de semana serviu para destruir cinco vidas de uma vez, e tantas outras aos poucos, à prestação. Como sempre, resolveram-se os problemas pontuais, os culpados foram pegos. Mas a endemia que provoca tais barbáries continua lá, invicta, célere e cada vez mais destrutiva, corrosiva e perigosa.

O Rio em 2016 continua lindo, com seu cristo redentor de braços abertos para receber o mundo. Mas que vira as costas para seus filhos ingratos, que não se resolvem e não se entendem. Se tudo fica sempre igual, por que se intrometer em assuntos em que não se pode fazer nada? perguntará o divino. Esperem o juízo final.

A beleza do esporte é ofuscada por problemas mais diversos, de modo que se Zeus ou Hera nos indagarem, responderemos que temos coisas mais importantes a fazer? Quem se atreverá a repreender quem assim pensa? Pois fomos educados para sermos individualistas, pensarmos em nós próprios e não no bem comum, em algo que beneficie a todos diretamente.

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Não fomos criados para valorizar benefícios indiretos. Da mesma forma que, assim não sabemos tratar problemas indiretos, como a #Violência. Dai o sucesso do Bolsa família e o fracasso  da Copa e do Pan. Que legado deixaram, fora estádios e algumas obras, que podemos olhar hoje e nos orgulhar de tê-los sediados?

Assim será com a Olimpíada, apostemos. Tanto barulho para que no fim, percamos mais que ganhemos com tudo isso. Os deuses nos entenderão, pois em sua Grécia é bem pior. Mas essa é outra conversa. #Opinião #Rio2016