O Brasil passa por um momento de extrema divisão político-ideológica de sua população frente ao novo governo interino de #Michel Temer, que assumiu o poder em Brasília. Não que as diferenças de opinião sejam ruins, pelo contrário, quanto mais as pessoas forem pluralistas e com percepções variadas sobre diversos temas, um tanto melhor para o país. Aliás, foram esses os princípios que nortearam o nascimento da democracia na Grécia Antiga

A questão não é se esse ou aquele partido ou representante político foi mais ou menos corrupto do que o seu antecessor. O problema, para muitos observadores internacionais e grande parte dos brasileiros, é de como o processo de transição duvidoso do Governo está sendo conduzido pelos líderes do #Impeachment da presidente #Dilma Rousseff

Vozes que emanam do povo terminantemente não concordam, por exemplo, sobre a formação “homogênea” do novo governo do Brasil, composto unicamente por representantes homens e de cor branca, o que vem sendo noticiado pela imprensa mundial com muitas críticas, veiculando que esse é um sinal claro de que, no momento, o Brasil está sendo um país, no mínimo, retrógrado.

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Ao receber tais críticas veementes, Temer deu meia-volta e convidou poucas mulheres para serem suas executivas. A maioria recusou com um sonoro não! 

Mas, afinal de contas, o que está acontecendo com o Brasil e o seu povo multirracial? Países como Arábia Saudita, Paquistão, Bósnia Herzegovina, Brunei, Tonga, Vanuatu, Eslováquia e Hungria, muitos deles, longe de serem arautos ou mesmo terem experiência com regimes democráticos de governo, juntamente com o Brasil atual, são as únicas nações no mundo, cujos governos não têm uma única mulher.

A realidade é que são 23 ministros homens e brancos que, junto com Michel Temer, tiraram uma única mulher presidente do Brasil, independente dessa mulher estar encarnada na pessoa de Dilma Rousseff ou não. 

A brasileira Manoela Miklos, que é ativista política, afirmou que “a gente está muito mal acompanhado”, pois, desde 1979 (ano de ditadura militar), a nação não tinha governantes sem mulheres nos ministérios, o que, segundo ela, caracteriza, sim, o período de retrocesso máximo que o Brasil atravessa. 

Somente homens compondo o Governo interino do país (51,5% da população brasileira é de mulheres), aliado à ausência de mestiços e negros (54% da população), só reforçaram a percepção de que Temer construiu um governo que não representa o país, sendo ele mesmo taxado por especialistas políticos e povo comum de “ilegítimo”.

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A mídia internacional vem criticando a política brasileira do momento, que, outrora, já era considerada corrupta, chamando os representantes políticos locais de medíocres

No Canadá, o 1º ministro Justin Trudeau, ao ser indagado por jornalistas no ano passado acerca da formação muito diversificada do seu poder Executivo (com representantes mulheres, filhos de imigrantes e até indígenas), respondeu assertivamente: “porque estamos em 2015”. 

Fato é que o presidente em exercício doou cargos na Esplanada dos Ministérios aos parlamentares que contribuíram votando sim pelo impeachment de Dilma. 

Manoela Miklos, antes já citada, reforçou a sensação de muitos brasileiros, que os direitos das mulheres e as políticas públicas não serão bem tratados por um governo, que, simplesmente, deixa as mulheres sem fala ou representatividade. O que acontecerá com o Brasil? As páginas da história responderão, mas vale o aviso de cada um que habita o país é um personagem ativo dessa história.