Quem acompanhou o dia a dia do segundo mandato de Dilma, logo após a posse começou a perceber que a oposição se determinara a colocar em andamento um plano para justificar um pedido de afastamento da presidente.

Ao longo dos meses, os trabalhos na Câmara, liderados por Eduardo Cunha, caminhavam sempre em sentido contrário ao do bom andamento do país. As votações de uma pauta-bomba atrás da outra em uma conjuntura que implorava por contenção de despesas denunciavam que havia algo de muito errado acontecendo. O país ficou paralisado e, enquanto brasileiros perdiam seus empregos e ansiavam que as coisas melhorassem, intensificava-se a campanha da oposição e da mídia para induzir o povo a concluir que todo o problema do Brasil era Dilma.

Publicidade
Publicidade

O ápice do conflito se deu quando Cunha, não recebendo o apoio do PT na votação que definiria sua permanência na presidência da Câmara, retaliou, aceitando a denúncia que deflagaria o processo de #Impeachment de uma presidente que sequer havia sido acusada de qualquer crime. Havia apenas uma citação em uma delação feita sob pressão e foi preciso transformar as pedaladas e os decretos suplementares em crime para, assim, transformar Dilma em criminosa. O que veio depois todos sabemos. O show de horror na votação da Câmara, performance similar no Senado, frequentes cerceamentos da defesa da presidente, a não comprovação do crime de responsabilidade e, mesmo assim, a aprovação da admissibilidade do impeachment por um "Congresso ficha suja".

Assistimos aterrorizados a todo esse processo que se mostrava, de forma cada vez mais evidente, mero cumprimento de etapas para que não se configurasse um golpe.

Publicidade

Se fossem respeitados os ritos prescritos na Constituição, não seria golpe. A palavra "golpe" virou tabu. Golpistas tentavam intimidar quem a usasse, como se ainda vivêssemos na ditadura, e tivéssemos que maquiar nosso discurso.

Cunha se manteve, por conta da negligência do Supremo, que só interferiu quando quis - o que evidencia que poderia tê-lo feito antes -, e só foi afastado depois de garantido o afastamento de Dilma. Cumpriu sua função.

O #Governo interino de Temer - que não poderia ser eleito, pois está inelegível por 8 anos - começou com a formação de um ministério também ficha suja. Entre os ministros acusados de envolvimento em corrupção está Romero Jucá, nomeado para o Planejamento, que nos presenteou com essa segunda-feira, no mínimo, esclarecedora. Não sabemos exatamente porque isso só aconteceu agora, mas a Folha divulgou uma conversa de março deste ano, entre Jucá e Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, que mostra que só o impeachment de Dilma poderia livrá-los da condenação pelos crimes cometidos na Lava Jato.

Publicidade

Jucá conseguiu, em uma só conversa, mostrar ao Brasil o que toda a esquerda vinha se descabelando para mostrar ao longo dos últimos meses: o impeachment nunca teve o nobre objetivo de afastar uma "criminosa", mas, sim, o de manter os verdadeiros criminosos impunes. Na conversa, Jucá e Machado citam Renan Calheiros, Aécio Neves, Aloysio Nunes, José Serra e Tasso Jereissati como diretamente beneficiados pelo afastamento de Dilma, e colocam sob suspeição até mesmo o Supremo, com quem fariam um "grande acordo" para proteger "todo mundo". Jucá nos prestou um favor. A gravação dessa sua conversa indecente e sua falida tentativa de traduzir seu conteúdo por algo menos pornográfico nos deu a verdadeira dimensão da podridão que está por trás desse golpe. Outras baixas virão, acompanhemos.

   #Michel Temer