Em carta enviada à Drª Margaret Chan, Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde, 150 cientistas de todo o mundo expressaram suas sinceras preocupações com a realização dos jogos olímpicos no Rio de Janeiro. A questão central é o vírus Zika, que os especialistas tratam como; “emergência de saúde pública internacional” pelas novas descobertas científicas, como sua conexão com a microcefalia e formas de transmissão, que reforçam a gravidade do problema.

As autoridades propõem que os jogos de 2016, no Rio de Janeiro, sejam adiados ou transferidos para outro local e o fazem, apesar de saber das pressões contrárias de autoridades públicas e privadas que, num coro uníssono, afirmam que a realização dos jogos no Brasil são inevitáveis, seja pela proximidade de seu início, seja pelos investimentos já feitos, contratos realizados e venda de ingressos.

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Contra esse argumento e sustentando que a gravidade da epidemia do #Zika Vírus é de maior relevância, lembram que, em face de uma eminente catástrofe, as questões comerciais ficam relegadas a segundo plano, como aconteceu em 1916, 1940 e 1944, quando os jogos olímpicos não foram apenas adiados, mas cancelados, e outros eventos desportivos, transferidos. Enfatizam ainda que muitos atletas, delegações e jornalistas estão refletindo profundamente sobre a decisão de participar dos Jogos Rio 2016.

Os rogos desses profissionais da ciência estão de acordo com as diretrizes dos Centros de controle de Doenças dos EUA, que orientam e recomendam que todos devem “considerar o adiamento de viagens em áreas tomadas pelo zika vírus, assim, se os atletas seguirem essas diretrizes uniformemente, escolheriam não arriscar contrair uma grave doença, participando de uma competição para a qual têm treinado a vida inteira.

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A preocupação dos pesquisadores se refere à saúde global, já que a estirpe do Zika vírus, no Brasil, afeta a saúde de tal modo, nunca antes observado pela ciência, um risco que entendem os pesquisadores ser desnecessário aos 500.000 estrangeiros que irão assistir aos jogos e que estarão expostos à doença, podendo, ao voltar para casa, para seu país de origem, torná-la endêmica e, nesses casos, os países mais pobres terão grande sofrimento e isso não é ético.

Reforçam os cientistas que muitas descobertas sobre o Zika ainda estão por vir, por isso é necessário que a OMS reconsidere sua visão sobre a realização dos jogos Rio 2016 e aponta a gravidade no país: “São 1.300 casos confirmados de microcefalia e outros 3.300 sob investigação, onde o Rio de Janeiro tem o segundo maior número de casos prováveis de  ​Zika no país, com 32.000 e a quarta maior taxa de incidência, (195 por 100.000 habitantes) e, apesar do programa de combate ao mosquito na cidade do Rio de Janeiro, o índice de contaminação só tende a crescer”.

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A preocupação internacional é um reflexo verdadeiro, que nós brasileiros deveríamos ter em primeira mão e não temos.  O Sistema de Saúde do Rio é tão severamente enfraquecido, que, mesmo um esforço de última hora no combate ao Zika vírus, é impensável e impossível. Vale lembrar que, recentemente, o governo do Estado do Rio de Janeiro declarou estado de emergência no setor da saúde e o orçamento foi diminuído em 20% no combate à doença, sem contar a questão social, como a falta de saneamento básico e os bolsões de miséria espalhados por toda a cidade, que são a causa principal e real, para a proliferação e disseminação do agente infeccioso.

O que está proposto por essa centena de cientistas à OMS é que realizar os jogos, como o previsto, traz um risco maior de acelerar a propagação da estirpe viral brasileira no mundo. #Pelé #Organização Mundial de Saúde