A segunda-feira teve mais acontecimentos do que nela cabiam. A notícia mais importante do início da tarde foi a de que Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara desde que Eduardo Cunha foi afastado, anulara a votação histórica que acatou a admissibilidade do #Impeachment de Dilma. O voto de Waldir Maranhão na Câmara já fora contra a admissibilidade, em desacordo com seu partido, o PP, que fechara questão em favor do impeachment. Uma vez na presidência da Câmara, afirmou ter tido acesso ao pedido de anulação da votação, de José Eduardo Cardozo, e considerou que o pedido deveria ser acolhido em parte. Beto Mansur, o secretário da mesa diretora da Câmara, afirmou que o pedido de Cardozo fora desconsiderado por ter sido entregue quando o processo já fora encaminhado ao Senado.

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Waldir Maranhão justificou sua decisão de anulação da votação pelos vícios que efetivamente ocorreram: o fechamento da questão pelos partidos, que impediu os deputados de votarem livremente, de acordo com sua convicção; o anúncio público dos votos dos parlamentares de forma prévia, que caracteriza prejulgamento e ofensa ao amplo direito de defesa; ter sido negada a palavra à defesa da presidente no último momento antes da votação; a não formalização do resultado da votação por Resolução. O presidente interino da Câmara havia se reunido, durante o final de semana e na manhã da segunda-feira, com lideranças do PT e do PCdoB, e também com Cardozo. É certo que deve ter sofrido pressões também através das redes sociais, que fizeram a campanha #AnulaMaranhão. O fato é que a decisão de Maranhão, no início do dia, apesar de inesperada, parece ter sido motivada por algum fiapo de hombridade.

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À tarde, Renan Calheiros decidiu simplesmente ignorar a decisão de Waldir Maranhão, qualificando-a como "intempestiva", "extemporânea", uma "brincadeira com a democracia". Houve tumulto no Senado. Renan negou a palavra à Senadora Vanessa Grazziotin, que protestou. O Senador Cassio Cunha Lima se referiu ao ato de Walmir Maranhão como "inexistente" e, não perdendo a chance de praticar seu odioso e recorrente machismo, insinuou que Vanessa havia se comportado de forma histérica. Gleisi Hoffmann não deixou passar batido e lamentou a postura do Senador, realmente lamentável. O Senador Jorge Viana, do PT/AC lembrou que a decisão de Eduardo Cunha, de aceitar a denúncia contra Dilma, também foi uma decisão monocrática. E afirmou que Ruy Barbosa devia estar estarrecido com a afirmação de que a votação na Câmara fora um "ato jurídico perfeito". "Que ato jurídico perfeito cheio de vícios e ilegalidades foi esse?" - questionou. Por fim, nada mudou. O Senado deverá votar a abertura do processo na quarta-feira, 11/05.

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Ao final da tarde, Waldir Maranhão, visivelmente ofendido, fez um pronunciamento refutando a avaliação de Renan sobre sua decisão. Nas palavras dele: “Nossa decisão foi com base na Constituição, com base no nosso regimento, para que nós possamos corrigir em tempo vícios que, certamente, poderão ser insanáveis no futuro. Nós não estamos e nem estaremos, em momento algum, brincando de fazer democracia.” Quem ouviu Waldir Maranhão nesse momento, jurou que ele era um homem sério. Mas, como no Brasil de hoje tudo é possível, correndo o risco de ser expulso de seu partido, à noite Maranhão revogou a própria decisão da tarde, sem maiores explicações. Ou seja: o próprio destino sempre é mais importante do que o destino do país. E quem amanheceu herói vai dormir como covarde. Pode isso, Maranhão?

#Governo #Dilma Rousseff