Já era manhã de quinta-feira, dia 12 de maio – uma madrugada histórica para o senado e a política brasileira, quando o relógio marcou 06h38min dando por fim a votação, após 20 longas e exaustivas horas de explanações, choradeiras da oposição e tudo o que se pode imaginar de uma sessão  plenária que julgava o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Enfim, por 55 votos a 22 e duas ausências os senadores deram férias de 180 dias para Dilma, que será substituída pelo vice Michel Temer, até que o caso tenha um desfecho definitivo. O passo seguinte é aguardar Vicentinho Alves – o primeiro-secretário da Mesa-Diretora da Casa comunique a decisão, como se ela já não previsse ou já soubesse, formalmente à Dilma da decisão e afastá-la por até 180 dias, período em que o vice-presidente Michel Temer assumirá o comando do País.

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Partido manhoso chega ao poder comendo pelas bordas: entenda sua breve história!

A primeira vez que o PMDB realmente disputou e venceu uma eleição, mesmo que não tivesse sido da forma livre e direta pelo povo brasileiro, foi o já natimorto e pré-cognominado mártir da futura Nova República, o mineiro Tancredo, que derrotou no colégio eleitoral o então candidato governista e apoiador do Regime Militar – o controvertido engenheiro e campeão de votos Paulo Salim Maluf - vítima que foi de uma manobra da oposição. Mas forças sobrenaturais e teorias da conspiração suscitam que as cartas deste pôquer podre do poder estavam marcadas e tinha início no Brasil a saga e o mistério da ascensão peemedebista ao poder das formas mais misteriosas.

Primeiro foi a eleição de Tancredo que, segundo sustentam alguns historiadores, fora eleito já condenado à morte e com data para deixar seu legado.

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Se ele sabia disso, jamais ficaremos sabendo. Mas, na verdade, o PMDB tinha por objetivo e ambição torná-lo mártir e reviver a inconfidência mineira; tanto isso é verdade que anunciaram sua morte dia 21 de abril. Coincidência? Que nada! Quando aquela célebre foto de Tancredo ganhou as capas dos jornais, dias antes ao lado de sua já viúva e a equipe médica, ah, ali eles seguravam um corpo inerte e embalsamado. Esperaram o dia 21 e abril para anunciarem sua morte, justamente no dia de Tiradentes. Aquele anúncio do porta voz Antônio Brito comoveu o Brasil. Não houve quem não se emocionasse com a cantora Fafá de Belém interpretando à capela o Hino Nacional Brasileiro.

A pergunta. Quem era seu vice? José Ribamar de Araújo Costa – ou popularmente - José Sarney que curiosamente era do mesmo partido do Paulo Maluf (PDS). Que não tardou para trocar de partido e assinar ficha com o PMDB para facilitar sua governabilidade, uma vez que, desta forma, teria maioria massiva no Congresso Nacional.

José Sarney governou de 1985 a 1990 e foi o primeiro peemedebista a herdar a faixa de presidente de forma indireta.

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Não esqueçamos que, no Brasil, votamos no presidente, seu vice vem de carona.

Em 1990, o Brasil pôde escolher seu presidente. Fernando Collor de Melo, o caçador de marajás das Alagoas, venceu e tudo dava sinais que sairíamos do fundo do poço. Que nada. Em 1992 em 48 horas ele foi tirado do alto de seu púlpito e adivinhe quem assumiu a presidência de 1992 até 1995. Outro vice peemedebista. Itamar Franco.

Passaram muitos anos até que a história resolvesse se repetir e um vice (PMDB) voltasse a assumir a presidência do Brasil. Mas, neste meio tempo, nem Fernando Henrique ou Lula tiveram problemas com seus vices. Talvez porque não fossem do PMDB.  Ah – mas estaria aí o erro de  Dilma. Ela ignorou – quiçá por falta de orientação ou, até mesmo por soberba. Aliou-se ao PMDB e trouxe para seu lado uma velha e experiente raposa política que conhece tudo dos bastidores do Planalto. Michel Temer, como um bom estrategista, durante quatro anos e alguns meses foi dando corda até que a presidente se viu enovelada e não conseguiu desenrolar a tempo e teve que deixar o Planalto. #Eleições #PT #Dilma Rousseff