Este domingo (19), Tite relembrou-nos (aos corinthianos) por que temos braços longos: para os adeuses, como diria Vinicius de Moraes. Para nós, e somente para nós - isto é segredo corinthiano -, ele não foi o melhor técnico do Brasil na atualidade, nem o que nos capitaneou por 378 partidas, tampouco o que mais títulos (e mais importantes) conquistou, muito menos o moralista de condutas ilibadas que pintam por aí. Para nós, ele é caso raro de alma gêmea, amor desbragado e paixão desenfreada, que sempre pertenceu ao #Corinthians e de quem o Corinthians sempre foi, com a torcida apenas à espreita dele nesses cem anos de espera, invocando ao longo de tantos feitos memoráveis pelo século.

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Ele não fará falta, propriamente dita, porque já não se pode vestir o manto alvinegro sem saber que ele pôs o Corinthians preto no branco, dentre outras tantas coisas, expandindo a favela para o mundo, antes mesmo que o mundo viesse à favela, em Itaquera, na abertura da Copa.

Agora, cumprindo a sina dos grandes amores de cada existência, faz-se da vida uma aventura errante, de repente não mais que de repente, mais uma vez conforme Vinicius de Moraes apregoava. A cidade de São Paulo amanheceu, para além das demais (e demasiadas) tristezas, com mais esta para beber em desesperados e inconsoláveis barris de rum, de whisky, de cachaça, o que viesse.

Assunção da Seleção Brasileira

Já os torcedores exclusivamente da #Seleção Brasileira despertaram confiantes no futuro que lá vem, e que principiou, de fato. Por volta das 17h desta segunda-feira, o treinador concedeu a primeira coletiva oficial em seu novo cargo.

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"Ajustar" (o time da Seleção) e "potencializar" (os atletas), sempre objetivando "excelência", "modernidade", além de "transparência" e "democratização" (no futebol), foram as promessas de Tite, que já provou ter condições suficientes para cumpri-las, até mesmo excedendo toda a expectativa.

Encurralado por parte de alguns jornalistas a respeito de sua assinatura de um manifesto que exigia a renúncia imediata do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, o treinador afirmou que a decisão por assumir o cargo, submetendo-se à chefia do presidente antes rechaçado, porém com "autonomia" assegurada, pareceu-lhe a melhor maneira de "contribuir" para o futebol e que seu legado poderia ser posteriormente avaliado pela forma como ele conduzirá seus trabalhos.

Não sobrepaira qualquer dúvida de que a Seleção Brasileira agora pode reeditar maravilhas das de 1970 e 1982, relembradas por Tite. No entanto, nada indica que mesmo uma muito insólita conquista da Copa de 2018, por exemplo, seja capaz de aliviar a tenebrosa condição dos clubes brasileiros.

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Muito pelo contrário. A impunidade diante de todos os casos de corrupção dos dirigentes tende a abrandar, caso sua gestão se confirme vitoriosa.

De qualquer modo, a partir de hoje, Tite é o técnico brasileiro de maior respaldo internacional, o melhor da atualidade, o mais vitorioso no Corinthians, dentre outros números impressionantes. Os brasileiros jamais saberão do segredo corinthiano, enquanto as estatísticas se multiplicarão. #Corrupção no futebol