Diante das manifestações contra o estupro, devido aos casos atuais, abrimos um parênteses para entender e discutir a chamada cultura do estupro que vem de um conceito dos anos 70, defendida principalmente pelas feministas. Podemos introduzir o assunto fazendo algumas considerações.

Qualquer pessoa que seja estuprada ou sofra qualquer tipo de violência não pode jamais ser culpada pelo jeito que se vestia, pelo seu jeito de ser, por estar andando na rua muito tarde, ter estado em determinado lugar, etc. Absolutamente nada justifica o abuso ao corpo ou mente de alguém.

Mesmo que a pessoa ande com pouquíssima roupa na rua, isso não significa que ela quer provocar alguém, apenas tem o direito de andar com aquela vestimenta, pois se sente bem consigo mesma.

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E se a intenção for provocar alguém, mas em nenhum momento permitir que seja tocada, mesmo assim ela não pode sofrer nenhum tipo de violação de seu corpo.

Muitos podem dizer que não é certo uma garota ou um garoto saírem por aí provocando os outros. Mas esta é uma outra opinião relacionada à #Comportamento, e não um aval para que pessoas que têm esse tipo de atitude sejam estupradas e violentadas.

Assaltos, por exemplo, também ocorrem em qualquer hora e lugar, e nem por isso as pessoas estão deixando de sair de casa com seus carros caros e seus celulares de última geração. Se uma pessoa estiver andando no centro da cidade de São Paulo com seu celular na mão, gritando feito criança: "eu tenho e você não tem", não dá o direito de outro vir roubar o aparelho, apesar do comportamento em tom de provocação não ser aprovado por muitos.

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Importante destacar que não são apenas as mulheres que podem ser estupradas e/ou sofrer violência sexual por homens, o inverso também pode ocorrer e até mesmo vindo de uma pessoa do mesmo sexo. O maior número de casos aconteceu com mulheres sendo estupradas por homens, mas o inverso, ou qualquer outro tipo de estupro/violência sexual, também é possível e igualmente não justificável.

Também não podemos afirmar que todo tipo de abordagem verbal negativa seja uma violência/assédio sexual. Por exemplo, no Brasil leva-se cantadas de todos os tipos, desde as mais ofensivas até as mais irrelevantes.

Ao receber um tipo de cantada dessas, a pessoa pode se sentir desrespeitada ou até mesmo ofendida, mas não pode dizer que sofreu uma violência. São conceitos e definições diferentes. O ideal seria que todos tivessem uma consciência de respeito mútuo desde o menor ato (desrespeito verbal) até o maior (estupro). Apesar disso não acontecer, não podemos afirmar que sempre, em 100% dos casos, uma coisa levará a outra (desrespeito verbal sempre levará ao estupro).

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Assim como não podemos dizer que todos os homens são estupradores ou que 100% das pessoas que nascem em favelas, com quase nenhuma condição financeira, se tornam ladrões.

Com tudo isso há uma dúvida que paira no ar: temos uma cultura de estupro no Brasil?

A definição desta cultura abrange algumas coisas mencionadas neste texto e mais infinitos itens, além de ter muitas definições:

- Banalização do estupro;

- Estupro sendo naturalizado pela sociedade sem trazer assombro e aversão;

- Comportamentos de culpar a vítima;

- Violência sexual sendo considerada normal;

- Pessoas sendo ensinadas a não serem estupradas ao invés de ensinar a não estuprar;

- Piadas de estupro e assédios na rua;

- Violência sexual ser habitual na sociedade;

- Violência contra mulher ser normalizada na sociedade;

- Tolerância incentivando atitudes violentas;

- Sexualização da mulher como objeto;

Há verdades ditas nas definições, mas também há certos pontos que devem ser repensados como sendo parte de definição da cultura do estupro. Exemplo: cantadas na rua serem entendidas como assédio sexual, violência sexual apenas contra mulheres e considerar que o estupro está sendo naturalizado pela sociedade como um todo.

Estes últimos pontos não são uma verdade absoluta, o que coloca em dúvida a existência de uma cultura do estupro. #Ataque #A Dona