Na manhã de segunda-feira, 13 de junho, foi publicada uma notícia no portal "G1" a respeito da agressão de um casal homossexual. Eles denunciaram que haviam apanhado de seguranças do Centro de Tradições Nordestinas, na Zona Norte de São Paulo, depois de um show de Ivete Sangalo, no sábado, 11 de junho.

Apenas uma das vítimas optou por se identificar, o publicitário Caio Tomaz da Rocha, que tem marcas visíveis de agressão no rosto. Segundo contam, foram acusados por dois outros frequentadores de roubar uma blusa e a discussão foi o suficiente para que um segurança abordasse Caio com truculência.

Nas palavras do próprio Caio, os seguranças continuaram a enforcá-lo enquanto afirmavam que "gay tinha que morrer".

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As agressões continuaram fora do estabelecimento. "Eles me pegavam e batiam minha cabeça no chão porque eles queriam que eu ficasse desacordado e não deixaram eu pedir socorro. Eles falavam o tempo todo para mim que gay e ladrão tinham que morrer, que ali não era lugar para gay, era lugar para cabra macho. E teve um momento em que um dos seguranças falou para uma das meninas que estava com a gente, que se não tirasse a gente dali, eles iam apagar a gente. Eles falaram que se a gente continuasse ali, eles iam levar a gente de quebrada, iam meter tiro”, afirmou a vítima.

O casal e os amigos que estavam com eles relataram ainda que policiais militares testemunharam a ação, mas não fizeram nada, dizendo que era preciso ligar para o 190 para acionar ajuda. Caio e seu namorado registraram um boletim de ocorrência.

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Apesar da atitude dos seguranças não deixar dúvidas quanto à discriminação contra homossexuais, nos comentários da notícia alguns leitores insistem em questionar a #Homofobia sofrida pelo casal, além de destilarem mais homofobia. Para tanto, usam de moralismos como o apreço pela família tradicional e pelos bons costumes, como se fossem verdadeiramente inimputáveis em sua conduta. Citam um trecho da Bíblia em que não há regras estabelecidas por Deus, mas impostas por Moisés dentro de um contexto bastante específico - regras que eles mesmos não seguem.

Utilizam-se ainda de um conceito de "normalidade" que não está relacionado ao comportamento da maioria, mas ao que é estabelecido pela norma imposta a partir da função reprodutiva de um casal heterossexual - ignorando, inclusive, que o homossexo existe amplamente entre outros animais.

Quando acusam homossexuais de vitimismo, fecham os olhos para preconceitos que vêm sendo reproduzidos há séculos, responsáveis por colocar gays à margem da sociedade e por lhes tirar o direito básico à dignidade.

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Suas mentalidades conservadoras e hipócritas são ainda reforçadas pelos discursos de líderes políticos e religiosos que acusam não apenas gays, mas também outras minorias de exigirem privilégios - negando a própria experiência das minorias, que nunca puderam gozar de direitos iguais aos daqueles que se encontram dentro das normas.

É assustador que pessoas que se consideram "de bem" reproduzam tanto preconceito e intolerância, admitindo que são incapazes de respeitar o outro e de conviver com diferenças que nem mesmo as afetam diretamente. Falam com tanta propriedade da necessidade de essas minorias conquistarem respeito em vez de o exigirem, contudo, são eles mesmos que mostram como não estão dispostos a respeitar ninguém. E é impossível se conquistar qualquer respeito em uma sociedade na qual prevalecem a desinformação e o pré-julgamento. #Violência #LGBT