A história do gorila assassinado no zoológico nos Estados Unidos para salvar um menino já tinha me dado coceira nos dedos. Mas fiquei quieto, porque poderia dar a impressão de que eu acho a vida do animal mais importante que a da criança. Depois veio a tragédia do jacaré da Disney (EUA, de novo). Dessa vez, o animal saiu ileso e a criança morreu. Como o ser humano não sabe viver sem procurar culpados, reclamaram de que a sinalização na beira do lago era insuficiente. Aí a coceira virou comichão.

Eu acho todas as vidas importantes, dos humanos e dos #Animais. Acho também que a perda dessas vidas é coisa da vida. Crianças morrem o tempo todo no mundo todo.

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Animais também. Nasceu, está sujeito a morrer. Mas se for para procurar culpados, o buraco é mais embaixo.

Acho bizarro que, em pleno ano de 2016, o ser humano ainda confine animais para entretenimento, como se fossem marionetes guiadas por controle remoto. Há que se fazer a ressalva de que, nos zoológicos, a guarda de alguns animais tem a função de preservar espécimes em extinção. Mas não é o caso, por exemplo, dos famosos parques aquáticos.

Se você tem alguma dúvida de como o confinamento prejudica os animais, assista ao filme “Black Fish” (no Netflix), que mostra como os golfinhos e baleias se tornam violentos e até deformados. Nos Sea Worlds da vida, o público aplaude, dá risada, fotografa e vai pra casa, sem saber o quanto esses animais choram em seus aquários, por terem sido separados dos parentes.

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Sem saber quantos e quantos treinadores são atacados pelos animais. Muitos acabam morrendo, mas os chefões do esquema dão um jeito de abafar e essas notícias não ganham destaque. Afinal, o show precisa continuar.

Por falar em imprensa, outra coisa que chama atenção é uma narrativa que, às vezes, criminaliza os animais. No caso do gorila, algumas postagens garantem que ele tentava matar a criança quando foi assassinado. Para mim, isso não ficou claro nas imagens.

Quer proporcionar ao seu filho momentos divertidos com animais? Vá passar o dia num hotel-fazenda, caminhar na Cantareira. Vá fazer um safari na África, se tiver condições. Ou mergulhar com golfinhos em Noronha. Mais fácil: venha aqui na rua de casa. Está cheio de cachorro, gato, bem-te-vi e sabiá. Até maritaca aparece de vez em quando. Mas pagar para ver animais confinados só ajuda a alimentar essa indústria sem sentido. E aí, voltando aos tais culpados, já viu onde o raciocínio vai chegar, né?

Eu já fui ao Sea World, quando tinha uns 5 anos de idade.

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Achei graça, me molhei, foi ótimo. Felizmente, não tinha a menor ideia de como aqueles bichos sofriam. Felizmente, hoje eu sei.

Para encerrar com chave de ouro esta pensata, fiquei sabendo hoje que uma onça foi morta por um militar porque se soltou enquanto participava do percurso da tocha olímpica. Essa foi em Manaus, afinal, adoramos imitar os estadunidenses. Parece brincadeira, né? Submetem uma onça a uma solenidade desse tipo, como se vivêssemos em 1500 e ainda estivéssemos deslumbrados com a #Natureza exuberante do país recém-invadido. E na hora em que o show dá errado, não conseguem resolver sem ter que matar o animal. É muito atraso em todos os sentidos. #Sustentabilidade