Emir Sader é considerado um sociólogo e cientista político de destaque no Brasil. Descendente de libaneses, formou-se em filosofia, sendo mestre de filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo. Atuou ainda na Universidade do Chile, Unicamp e UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

O pensamento esquerdista de Sader no que tange a política fez com esse intelectual brasileiro se tornasse um crítico acirrado dos regimes neoliberais que foram se sucedendo na história brasileira recente. Tanto é assim, que em um dos seus muitos artigos veiculados pouco tempo atrás, Emir critica severamente o governo interino que assumiu o poder no país e um dos seus alvos preferidos é José Serra do #PSDB-SP

Serra, quando foi líder estudantil, acabou sendo o presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes.

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Na ocasião a UNE respirava uma atmosfera marxista, recebendo a influência direta do PC do B. Esse cenário levou Serra a proferir no último discurso de João Goulart no Rio de Janeiro, a fala mais acirrada, até mais contundente do que a do gaúcho Leonel de Moura Brizola, contra o que se desenhava no horizonte político da nação. 

Com a instauração do golpe militar em 1964, poucos dias depois do explosivo discurso de Serra, o que todos esperavam é que a UNE, com ele sendo o seu presidente estudantil, fosse guardiã da democracia de resistência no país. Que nada! Serra largou da UNE e estava entre os primeiros que abandonaram a nação, deixando-a a mercê dos militares que desmantelavam com maestria as entidades estudantis e universidades. 

Emir continua a explicar na sua abordagem da biografia de Serra, que já no Canadá, o “foragido” Serra passa a se dedicar aos estudos de economia, enquanto que os estudantes brasileiros enfrentavam o monstro draconiano da ditadura nas ruas das principais capitais do Brasil, ou seja, era a separação sem volta entre José Serra e a UNE. 

Posteriormente no Chile, Serra finda os seus estudos de economia e “mentiu dizendo que assessorava ao governo de Allende”, reitera Sader.

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Isso na prática não correspondeu a verdade, pois Darcy Ribeiro foi o único cidadão brasileiro que serviu como mediador a pedido de Salvador Allende, para negociar uma saída marítima da Bolívia com o Chile. 

Serra retorna ao Brasil após o término da ditadura e foi secretário de Franco Montoro. O tucano naquela época derrotou a esquerda do PMDB e se tornou deputado federal com grande número de votos. Quando Fernando Henrique governava a nação, Emir esclarece que Serra sempre foi preterido pelo primeiro para ser presidente do Brasil. Até mesmo o jornal norte-americano The Economist escreveu que Serra era "o melhor presidente que o Brasil nunca iria ter". 

É com a ascensão de Michel Temer que Serra conquista o Itamaraty. O sociólogo Emir Sader continua a desfiar o rosário de críticas ácidas no papel de José Serra enquanto ministro das Relações Exteriores do Brasil e faz uma alusão a frase de denúncia do cantor e compositor Chico Buarque, que disse: "fala fino com os EUA e grosso com a Bolívia". 

Resta saber se Serra continuará no ministério e destroçará a política externa que fez com que o Brasil fosse mais respeitado no exterior com o ex-presidente Lula e com Celso Amorim.

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Amorim que, por sinal, foi eleito o melhor ministro de relações exteriores do mundo moderno. #Dilma Rousseff #Crise-de-governo