À meia temporada, repentinamente, o #Corinthians perde seu treinador para a Confederação Brasileira de #Futebol (CBF). Ao anunciar o desligamento de Tite, o presidente do clube, Roberto de Andrade, presume, tranquilo, que se alongaria uma “fila de interessados” para o cargo. Pouco se divulgou, oficialmente, sobre os longos cinco dias de negociações até a assinatura de Cristóvão Borges; muito se especulou, entretanto.

Por um lado, a vaga corinthiana teria sido preterida por Sylvinho (este foi confirmado pela diretoria), Roger Machado, Fernando Diniz, Dorival Júnior, até mesmo, Eduardo Baptista e André Villas-Boas. Por outro, teria sido pretendida, via empresários, por Vanderlei Luxemburgo, Diego Aguirre, e, quem sabe, Oswaldo de Oliveira.

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De certo mesmo, sabe-se que:

  • nenhum dos nomes sobre a mesa satisfez as ganas alvinegras, dada a escassez de treinadores disponíveis no momento;
  • sequer se cogitou, em qualquer instante, uma técnica mulher para o cargo;
  • há mulheres de sobra com competência, inteligência e garra em todos os setores da sociedade, incluindo o futebol;
  • o Corinthians é o clube brasileiro que, historicamente, ostenta a tradição de encabeçar movimentos sociais, além de desportivos, importantes.

Breve histórico político do Corinthians

Começando pelo fim, o Timão, por se consolidar como o “time do povo”, sempre tomando partido dos “maloqueiros” e “sofredores” – portanto, “marginais”, no sentido quente da palavra –, ao longo de sua trajetória, encampou diversas lutas importantes. Para citar exemplos recentes, recordem-se as manifestações contra a CBF, a Federação Paulista de Futebol (FPF), a hegemonia da Rede Globo, a supervalorização dos ingressos e o esquema de pagamento de propina em contratos superfaturados de merenda escolar por parte de um deputado paulista, além do explícito posicionamento contra o golpe consumado por Michel Temer na presidência da República.

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Ainda se deve relembrar o expressivo movimento Democracia Corinthiana que, em pleno regime militar, em 1982, propunha e efetivava um sistema de autogestão em que toda e qualquer deliberação no clube era decidida por maioria de votos (com votação de todos os funcionários e votos de peso igual), bem como estampava no manto alvinegro palavras de ordem como “Diretas-já” e “Eu quero votar para presidente”. Condiria com seu itinerário guerreiro empregar a primeira técnica mulher no futebol profissional masculino brasileiro.

Treinadoras mulheres no comando de times masculinos

Muito se difunde acerca da opressão que a mulher padece nos países muçulmanos. Não é tão divulgada, no entanto, a notícia de que, desde o fim do ano passado, o time masculino do Al Nasr, no Sudão, já é comandado por uma vidrada por futebol: Selma Al Majdi, que almeja, nada menos do que treinar sua seleção, a despeito dos inúmeros obstáculos que ela enfrentou e certamente ainda confronta.

Ela não foi a primeira técnica mulher a assumir o cargo no mundo.

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De que se teve notícia, Corinne Diacre, aos 39 anos, teria sido a pioneira em meados de 2014, no time francês Clermont Foot, após jogar na seleção feminina de seu país, desde os 18 anos, assumindo a faixa de capitã por 12, além de já ter treinado uma equipe feminina e auxiliar o técnico Bruno Bini da seleção também feminina.

Obviamente, ter nascido mulher, por si, não abona talento de qualquer treinadora, contudo elas podem ombrear - e certamente o farão em breve - qualquer grande técnico homem. É tão provável que não haja mesmo páreo para Tite dentre seus colegas disponíveis no momento, quanto improvável que não haja uma única mulher capaz de caprichar seu trabalho e conquistar títulos grandiosos sob o comando de qualquer equipe. Chegou o momento delas e de triplicar não somente as filas de interessados em cargos de alta exigência no futebol, como também a excelência com que se os conduz, independentemente do sexo, do gênero, de qualquer tipo de diferença. #PaixãoPorFutebol