Para alguns, pode soar como exagero, mas as motivações para as críticas à imagem veiculada para promover o filme "X-Men: Apocalipse" precisam ser explicadas dentro do contexto social, o qual envolve um personagem masculino, Apocalipse, enforcando uma personagem feminina, Mística.

Em primeiro lugar, a imagem, por si só, não leva automaticamente a um contexto específico quando exibida a um público sem restrições. Sem conhecimento da história, não é possível saber quem é o vilão e quem é o herói. Somando-se à legenda "Only the strong will survive" ("Apenas os fortes sobreviverão"), há uma indicação superficial de que, provavelmente, o personagem masculino é o forte e que deverá sobreviver. 

O fato de se tratar de uma imagem fictícia, não significa que não esteja relacionada a uma realidade, a qual tem sido cada vez mais problematizada: a da violência de gênero.

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A maneira como uma imagem em que um sujeito masculino subjuga uma mulher, independente de quem sejam ambos, pode ter efeitos negativos em quem a vê. Afinal, o que se pode "ler" no cartaz em questão é apenas o estrangulamento de uma personagem feminina.

Uma vez que nos colocamos dentro do contexto do filme, é possível ter uma nova visão da personagem que está sendo enforcada, contudo, é preciso destacar que nem toda pessoa a ver a propaganda irá procurar inserir a cena no contexto em questão. No caso de crianças, que não estão familiarizadas com a saga dos X-Men, por exemplo, essa pode ser meramente a representação de um ser masculino mais poderoso que um ser feminino, produzindo uma percepção a ser levada para as interações sociais.

É oportuno, ainda, levar em conta a maneira como personagens femininas são tratadas em histórias de super-heróis em geral, com base em hipersexualização e como dependentes dos heróis masculinos - ou, em geral, como mais fracas que eles.

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Protagonistas masculinos, em geral, são muito mais aceitos no universo dos quadrinhos do que protagonistas femininas.

Em termos gerais, uma imagem em que uma mulher aparece sendo agredida é um reforço a uma cultura de diminuição feminina e evitar que isso se replique passa também por escolhas publicitárias. 

Quando dois personagens masculinos se enfrentam, os cartazes os colocam frente a frente, sem sugerir que um acabe sendo subjugado por outro - uma forma de antecipar o conflito, mas de não antecipar a vitória. O mesmo não pode ser dito dessa publicidade, em que prontamente se indica um perdedor - justamente a personagem feminina.

A reclamação, por parte das mulheres, precisa ser enxergada dentro de uma visão social em que são elas constantemente representadas como frágeis, vulneráveis e sujeitas a um protagonista masculino. Não se trata de algo isolado ou pontual, algo que, felizmente, a própria 20th Century Fox reconheceu. #Cinema