Na sexta-feira, 8, o presidente interino Michel Temer se reuniu com uma comitiva formada por 33 pastores evangélicos, no Palácio do Planalto. A pauta levada a Temer dizia respeito ao combate à "ideologia de gênero" e à defesa da família tradicional como preceitos para políticas públicas e para o Ministério da #Educação (MEC).

O comprometimento do presidente interino com evangélicos é preocupante quando o que está em questão é o poder de interferência na educação, uma vez que, conforme temos visto, nenhum dos líderes religiosos evangélicos tem algum tipo de formação na área e visam a uma doutrinação conservadora e fundamentalista em todos os âmbitos - ideia que muito provavelmente agrada a Temer.

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A questão da ideologia de gênero nas escolas parece ser o inimigo da vez, escolhido pelos paladinos da moral e dos bons costumes. O que tem se difundido é a completa distorção das ideias elaboradas pelos estudos de gênero, as quais visam à denúncia da desigualdade entre homens e mulheres, e da violência gerada pela imposição de valores sociais e culturalmente construídos.

Quando nos colocamos a favor do ensino e discussão de questões de gênero nas escolas, não estamos falando apenas em homossexualidade - e que um indivíduo possa acreditar nisso é de uma ingenuidade com base em generalizações grosseiras. Não se trata de "estimular homossexualismo [sic] e promiscuidade" e, honestamente, se ainda existem professores que pensam assim, há algo de muito errado e atrasado na formação dessas pessoas.

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Na #Escola, a preocupação com o desenvolvimento de uma capacidade crítica entre os alunos deve ser o foco principal - e elicitar o pensamento crítico, envolve debater temas como gênero, sexualidade, opressão, discriminação etc. Afinal, é na escola que as crianças têm contato com a real diversidade e aprendem sobre a importância do respeito às diferenças.

Não é preciso passar muito tempo dentro de uma instituição de ensino para testemunhar como o aluno homossexual, por exemplo, é frequentemente condenado por apresentar um #Comportamento "diferente", fora das normas, o qual rapidamente associamos à sexualidade - algo que nós, adultos, ensinamos as crianças a fazer antes mesmo de entrarem na escola.

Ademais, não podemos restringir a escola apenas à Ciência, pois o ensino passa também pela Sociologia e, acima de tudo, pelo respeito ao outro. Ensinar sobre as diferenças e sobre a outridade é, sim, função da escola, e para tratar desse tema, ela precisa passar por questões de raça, gênero, classe sócio-econômica, etnia e todos os elementos que, ao serem construídos como identidades, acabam por passar também pela exclusão.

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Com as medidas propostas por pastores e conservadores, as quais têm chegado a um grande número de Projetos de Lei municipais e até estaduais, o professor ficaria impedido de trabalhar o tema da diversidade, e de tratar, inclusive, das causas de preconceitos múltiplos. O resultado, obviamente, é que teríamos jovens com liberdade para discriminar e oprimir seus próprios colegas, sem que as vítimas da opressão tenham qualquer apoio institucional para lutar contra isso.