Desde a apresentação de formation no Super Bowl 2016, a cantora e artista estadunidense Beyoncé passou a ser vista por grupos e movimentos sociais pós-modernos como um símbolo de luta do povo negro e do direito das mulheres. Através de uma letra que exalta a meritocracia e faz propagandas de marcas caras, sua performance se transformou em uma “revolução dos oprimidos”.

Pelas redes sociais, os seguidores da artista a defendiam com “unhas e dentes” a cada crítica marxista e classista em relação à #Música. Usuários das redes sociais questionavam o fato da cantora ser filha de uma figurinista e de um empresário do ramo musical.

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Eles também questionavam que a cantora não trazia nenhuma discussão em relação as opressões estruturais e viam a música mais como um produto do capitalismo do que como uma “revolução”. Já os fãs da cantora não viam a artista desta maneira, mas também evitavam discussões.

Em março um escândalo envolvendo trabalho escravo e o nome da cantora estourou. Uma fábrica responsável por confeccionar sua grife foi acusada de promover trabalho escravo em Sri Lanka, na Ásia. As discussões em torno da artista voltaram. Os setores à esquerda ganharam um novo argumento contra a cantora, porém as críticas não foram bem recebidas por seus fãs. Muitos defenderam que a empresa pagava um salário razoável em relação aquele país e não se aprofundavam no debate. Além disso, alguns fãs faziam uso de ataques pessoais contra os críticos da cantora, emitindo que os opositores não passavam de invejosos e “homens brancos heterossexuais” que não possuíam a vivência que Beyoncé possuía.

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Outra questão muito ironizada pelos críticos da cantora se deu pelo motivo de que foi um homem o responsável pela produção da música formation. É óbvio que não há nada de errado em um homem produzir uma música que é vista como “empoderadora” para uma mulher. No entanto, a crítica existe pelo fato disso ser visto como “roubo de protagonismo” pelos movimentos pós-modernos que apoiam a artista, tornando algo contraditório dentro dos ideais defendidos por esses grupos.

Um fato é que a música e o álbum não atacam as estruturas e o sistema. Eles se apegam às questões mais identitárias e de representatividade dentro do próprio sistema capitalista. Uma artista ostentar marcas não reduz a segregação racial que ainda existe nos Estados Unidos e no mundo. Suas músicas também nada interferem em lutas sociais e na desigualdade. Beyoncé não é um símbolo de luta, mas sim de lucro. Uma empreendedora que soube explorar muito bem um discurso que está entrando na moda e lucrou com ele. #Famosos