Não foram poucas as tentativas. O primeiro foi um jovem em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, que tentou apagar a Tocha Olímpica com um balde d'água. Em Cascavel, um rapaz identificado como Daniel, tentou apagar a tocha com um extintor. Em Maringá, o caso aconteceu na Avenida Colombo: uma mulher tentou apagar a tocha com um cartaz onde estava escrito “Fora, Temer”. Todos foram presos e autuados como tentativa de dano ao patrimônio público e desacato à autoridade.

Dessa vez não foi uma pessoa ou outra, foram várias. Angra dos Reis entra para a história do Brasil e do mundo. Uma cidade que disse "basta" não somente para uma tocha, mas para o símbolo de todo o descaso, injustiça e desigualdade sociais.

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Especificamente para os moradores de Angra que sofrem com o fechamento de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a suspensão do serviço de ônibus e com o atraso no pagamento de salários dos médicos e professores, entre outros.

Tentaram apagar a tocha com um cartaz, com balde de água e até com um extintor de incêndio. Mas, o povo de Angra conseguiu tal fato no grito. Com gritos de protestos, manifestaram sua indignação. Não dá para saber ainda, ao certo, quem apagou ou se a própria comissão que apagou. Mas não se via mais chama e se sabe que ouve confronto com a Polícia Militar. Teve tiro de bala de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Os moradores fecharam as vias com cartazes como "Tocha da Vergonha" e "Trabalhadores de Angra não vão pagar pela crise". 

E se você pensou que parou por aí, se engana.

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Na mesma noite, a tocha não foi somente apagada, também foi roubada. Mas “roubada” é um termo muito pejorativo para atitude tão simbólica. A tocha foi expropriada porque o custo saiu dos "nossos bolsos". O símbolo olímpico foi tirado das mãos do estado por um heroico cidadão de Angra.

O sentimento da população não é festivo. Segundo o Ibope, mais de 60% da sociedade acredita que as Olímpiadas Rio 2016 vão trazer prejuízo para o Brasil, assim como foi na Copa de 2014. Tal fato extrapola o sentimento social e se evidencia pelas políticas adotadas, principalmente pelo motivo do Rio de Janeiro se encontrar em estado de calamidade pública. Não há verbas para saúde, educação e segurança. Somente os gastos para a passagem com a Tocha Olímpica, em cada cidade, chegam a custar mais de R$ 180 mil.

Para a maioria da população é um absurdo, dada a atual crise. Aliás, o que não é um absurdo na política brasileira? A revolta de Angra dos Reis denuncia que quem comete crime de dano ao patrimônio público é o Estado. Além de evidenciar que autoridade é o povo empoderado. #ApagaTocha #NãoVaiTerTocha #Rio2016