Décadas atrás, o ex-presidente da França Charles de Gaulle teria dito que "o Brasil não é um país sério"! Alguns falam que a controversa frase, na realidade, não foi falada pelo francês de Gaulle, mas sim por um diplomata do Brasil que estava com ele. Nunca se terá a certeza absoluta do autor da frase, mas quando a mesma é utilizada para entender o comportamento de alguns políticos e personalidades do Brasil, de fato, o que ali foi dito faz bastante sentido e, lamentavelmente, negativo.

Exemplo disso foi o cruzamento das fotografias existentes no álbum do Facebook da ex-jornalista da Rede Globo, Cláudia Cruz, com as faturas produzidas pelo uso do seu cartão de crédito internacional.

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Cláudia é a mulher de #Eduardo Cunha, deputado afastado do PMDB-RJ. As denúncias estão sendo conduzidas pelo MPF - Ministério Público Federal, o qual afirmou que por meio dessa estratégia, conseguiu rastrear as viagens e os gastos feitos por Cláudia, tudo sendo pago com o dinheiro obtido na #Corrupção da estatal #Petrobras.

Destinos como Nova York, Miami, Orlando, Zurique, Barcelona, Lisboa, Roma, Paris, São Petesburgo e Dubai foram escolhidos pelos Cunha entre os anos de 2013 a 2015, cujos gastos com os cartões de crédito resultaram no valor de US$ 526.760. A denúncia feita pela Operação Lava Jato revelou que Cunha e a sua filha Danielle, igualmente, possuíam cartões internacionais, sendo as faturas quitadas com o dinheiro da conta de Cunha em Köpek na Suíça e o saldo no banco alimentado com o sistema de corrupção reinante na Petrobras.

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Os gastos que diziam respeito diretamente ao cartão de Cláudia Cruz, totalizaram US$ 81.172; as faturas no cartão da herdeira Danielle apresentaram o valor US$ 269.327 a ser pago e por fim, as despesas no cartão de Cunha foram de US$ 169.730. A revelação de todo esse contexto obsceno do uso indevido do dinheiro público, levou Cláudia a ser ré na Lava Jato.

Fotografias

Foi em 2013 que as faturas obtidas pelo trabalho da Lava Jato coincidiram com as datas das fotos tiradas na viagem de Cunha e Cláudia à Espanha para assistir a Danielle, que estava se formando um MBA na Esade, escola de negócios, o que custou a bagatela de US$ 119 mil. Dinheiro esse que a Lava Jato determinou ter vindo da mesma conta suíça Köpek e que em nenhum momento Cláudia declarou.

Eram fotos dos Cunha consumindo camarões, ostras e lagostas, bem como selfies de Cláudia na turística praia de Barcelona e posteriormente dela com a filha Danielle na França. Só em Paris ela gastou, na famosa camisaria Charvet Place Vendôme, com o seu cartão de crédito internacional, o valor de € 395, e ainda teve tempo de tirar fotos, tendo o rio Sena e a Torre Eiffel como molduras.

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Ainda em 2013, no mês de setembro, Cláudia foi para os EUA, mais especificamente Nova York, e gastou US$ 3.209 em compras na joalheria Tiffany, na loja de departamento de luxo Berdorf Goodman e na perfumaria Sephora.

Denúncia do Ministério Público Federal

O MPF fez questão de ressaltar que esses gastos são simplesmente incompatíveis, se forem comparados, com a renda declarada por Eduardo e Cláudia. Ou seja, gastaram mais de US$ 1 milhão em 7 anos, sendo que a jornalista declarou em 2015 à Receita Federal o valor de R$ 76.711,20 por serviços feitos por ela para pessoas físicas no ano de 2014.

“Não era de corrupção e isso ficará provado no processo”, disse a defesa da jornalista sobre o dinheiro encontrado na Suíça. De fato, "o Brasil não é um país sério", pelo menos nas pessoas de alguns políticos.