A alta do preço do feijão influenciou o valor da cesta básica, elevou o custo de vida e assustou a população. O assunto causou muita polêmica na internet, gerando piadas e brincadeiras. Nesses momentos deve-se atentar para onda de boatos, falsas informações e conclusões distorcidas sobre o problema.

Um conjunto de coisas que levou à situação, entre causas naturais e interferências do homem. Tampouco a situação era inesperada: relatório de abril de 2016, do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo indicava queda de área plantada de feijões e previa uma produção inferior à anterior. Mesmo a cana-de-açúcar, predominante em território paulista, está perdendo espaço, pois, segundo o relatório, a “área em produção estimada para colheita apresenta ligeira queda”, destacando a retração na expansão de novos cultivos da cultura no estado.

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No entanto, o cultivo da soja, “segue a tendência de expansão no Estado”, pois sua liquidez dentro e fora do país justificam a escolha. A tendência à monocultura de grãos de soja estaria prejudicando a diversidade de nossa #Agricultura, enfrentando até mesmo outra tradicional monocultura, como a cana-de-açúcar?

O Brasil é um país de latifúndios desde as capitanias hereditárias. Esses latifúndios sempre priorizaram a monocultura: tivemos ciclos de pau-brasil, algodão, cana-de-açúcar, café, ouro; o que permite-nos pensar que a principal preocupação dos antigos exploradores e dos atuais latifundiários é com as taxas de lucro e a acumulação de capitais, colocando em segundo plano as preocupações de desenvolvimento do país, da população e meio ambiente.

A maioria dos produtos agrícolas que nos alimentam provém de pequenos e médios produtores sendo que nossos latifúndios abastecem o mercado internacional.

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Entre outros fatores negativos, ao ter sua economia dependente de um produto estamos reféns dos ciclos econômicos internacionais e suas variações de preços, muitas vezes artificiais.

Além de servir como commodities para exportação, a soja é amplamente utilizada para alimentar animais para abate. Em uma comparação, pode-se dizer que uma produção de grãos em determinada área poderia alimentar de 1000 a 2500 pessoas; ao passo que se essa produção fosse usada para ração ou essa mesma área fosse utilizada para pasto de gado de corte, alimentar-se-ia apenas 8 pessoas.

A criação de animais para a morte desmata terras e avança sobre florestas e áreas indígenas, fazendo uso da violência e invasões. Das carnes dos animais abatidos no Brasil, cerca de 75% do seu consumo é interno; assim, considerando que as exportações de carnes brasileiras hoje ficam em torno de 40% do abastecimento mundial, não é difícil concluir que o Brasil é o país que mais mata no mundo.

Há uma correlação direta entre a monocultura, produção de carne e de grãos e vegetais para alimentar esses animais, pois isso vai contra a ideia de desenvolvimento sustentável e a defesa do meio ambiente, sendo conveniente para os grandes detentores desses meios de produção.

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Podemos interferir nessa situação através de atitudes e pressões por mudanças. Não é possível ser ambientalista ao não se colocar contra essa ordem estabelecida das coisas; não se defende direitos dos animais quando se contribui para o processo que os usam como objetos de consumo irracional; não se fornece subsídios e condições a um desenvolvimento sustentável ao não agir pela transformação absoluta desse sistema devastador de explorar o mundo.

Por mais que o Brasil esteja atingido por uma miríade de problemas, podemos perceber com um olhar mais apurado que essas dores não se restringem a nós. Ela está inserida numa ordem global e mundial, em que fica mais premente a necessidade de revoluções internas (pessoais) e externas (estruturais). É certo que estamos diante de um mundo diferente desse tal qual conhecemos: parados frente ao precipício, cabe a nós decidirmos entre construir a ponte ou pularmos coletivamente. A boa notícia é que temos muito trabalho pela frente. #Governo #Sustentabilidade