A poucos dias do evento esportivo mais importante do mundo, não é mais possível esconder da imprensa e dos turistas que o Rio, da garota de Ipanema, não é mais a cidade maravilhosa. O Rio chora, pois a sua maravilha foi arrancada pelo crescimento da criminalidade, esta que, por sua vez, não deixou de ser contida por falta de dinheiro, mas por falta de interesse do poder público do Rio de Janeiro. Há alguns dias, houve mais uma vítima, dessa vez, em um bairro próximo da cidade olímpica.

A versão das testemunhas

Na última quinta-feira, 14, Christiane de Souza Andrade foi em um supermercado próximo de sua casa. Eram aproximadamente 20h e ela caminhava com sua filha de 7 anos de idade pela calçada.

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Repentinamente, foi abordada por um meliante que, segundo testemunhas, exigia dinheiro. 

Diante da negativa, o homem empunhou uma faca. Instantes antes de desferi-la duas vezes contra o pescoço da vítima, ela tentou fazer com que ele não consumasse o fato, alegando que o conhecia. Não adiantou, ele a esfaqueou e fugiu para a favela.

A criança, desesperada ao ver sua mãe cambaleando com a faca no pescoço, parou um taxista e implorou por ajuda. No carro, a criança tentava reanimar a mãe, mas foi em vão. Mesmo com o socorro prestado pelo taxista, que afirma já ter sido vítima de 5 assaltos, a vida dessa senhora já havia sido tirada.

A versão da polícia

Uma segunda versão, apresentada pela polícia civil nesse domingo, 17, afirma que o criminoso era um ex-namorado da vítima, com quem ela teve um relacionamento de três anos e que recentemente teria decidido romper, mas o criminoso não teria aceitado.

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O homem, de nome Rojelson Santos Baptista, admitiu ter assassinado a vítima em frente à criança de 7 anos e está preso.

O vídeo da menina com a blusa cheia de sangue e com lágrimas nos olhos que circula na internet jamais sairá da mente de muita gente. E os direitos humanos? Estarão prontos para atender o meliante na cadeia, que foi espancado por moradores pouco antes de ser preso e só não foi linchado porque a PM chegou antes no local dos fatos.

Independentemente de qual versão é a verdadeira, há apenas duas coisas imutáveis nesse caso:

  • A vítima está morta e não pode confirmar ou desmentir uma versão;
  • Uma pessoa só tem a coragem de atentar contra a vida de alguém, porque sabe que o sistema falha e que há chances de não ser punido ou até ser, mas sem deixar de usufruir da progressão de pena, saídinhas de 1 a 3 vezes ao ano e cuidados dos direitos humanos, que defendem a qualidade de vida do preso e o direito a uma segunda chance na sociedade.

Quando alguns políticos afirmam que no Brasil os Direitos Humanos não existem para os cidadãos, mas sim para o bandido, não se trata de exagero. Se trata de uma realidade.

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A família de Christiane segue em luto, descrente da justiça. Aquela criança pode ficar traumatizada por um longo período, pois quando mais precisou só viu pena nos olhos das pessoas, mas nada que trouxesse sua mãe de volta.

Em meio a essa situação, pergunto: onde está a segunda chance dessa criança que perdeu a mãe? Onde está a segunda chance de Christiane continuar viva e criar sua filha? Onde está a segunda chance de todas as vítimas da #Violência, seja ela urbana ou passional? Não está em lugar nenhum, pois não existe. Não existe nem a garantia de que novos crimes como esse não acontecerão no futuro.

"Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal." – Declaração Universal dos Direitos Humanos. #Opinião #Crime