Leonel de Moura Brizola (1922-2004), político fundador do PDT e governador de dois estados brasileiros - do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro - costumava dizer sobre a TV dos Marinho: "Se a Globo for a favor, somos contra; se for contra, somos a favor", dizia ao alegar que era perseguido pela emissora. De fato, os veículos do grupo O Globo sempre se colocaram contra a expansão de direitos no país, desde Getúlio Vargas, sordidamente caçado dia e noite e que resultou em tornar-se "vítima" de grande revolta popular após o suicídio do então presidente em agosto de 1954.

Voltando à máxima de Brizola, o editorial do jornal O Globo deste domingo, 24, se encaixa perfeitamente na fala do já saudoso político gaúcho.

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Em texto intitulado, "Crise força o fim do injusto ensino superior gratuito", o jornal sugere, logo no primeiro parágrafo "que se busquem financiar serviços prestados pelo Estado", diz o jornal afirmando que a medida que vinha sendo usada desde o início da redemocratização, a criação de novos impostos, já está "esgotada". O jornal sugere que, quem possa pagar, pague e quem não possa, receba bolsas.

Ora, estamos em um país tecnologicamente ainda atrasado. Nossas exportações são, em sua maioria, de commodities. Até antes dos governos petistas, o orçamento de ciência e tecnologia não chegava a 1% do PIB, atualmente, chegando a 2,5%. Chegamos a um número relativamente bom de doutores, em torno de 7 milhões. Sabendo que nos momentos de crise, cultura, ciência e tecnologia são as áreas mais afetadas com cortes, ao lado do social e que isso já se configura nos remendos ao Orçamento feitos pelo novo governo interino, inclusive no corte de ministérios que antes fomentavam as áreas.

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E esse jornal, aliado desde sempre a tudo que é de mais retrógrado vem sugerir que se privatize o Ensino Superior?

Quando atingiremos um nível de ciência e tecnologia comparável a países da Europa, por exemplo, caso a sugestão seja aceita?

A opção, que não agrada muito ao Grupo Globo, por não prejudicar o pobre, seria o corte de juros. E por que não cortar do bolsa banqueiro? Por que não diminuir absurdos R$ 230 bilhões para os bancos em seis meses e meio? E por que não cortar em publicidade em meios decadentes que ano passado consumiram mais de R$ 1 bilhão? E principalmente, por que não cortar em benefícios de quem já tem mais do que a maioria dos brasileiros - membros do Judiciário, Executivo e Legislativo? Por que, ao invés disso, cortam o Ciências Sem Fronteiras? Eu questiono: é justo que o Judiciário tenha aumento de 41% em seus salários, enquanto a maioria dos brasileiros vive com salário mínimo? É justo que se privatize o Ensino Superior, prejudicando a milhões de jovens e se mantenha privilégios de uma classe que a cada dia só nos envergonha mais?

Realmente, Brizola tinha razão.

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Eles nunca estarão do mesmo lado do povo. E é por isto que, como diz um certo jornalista, "Ou a democracia, ou a Globo". Os dois não podem coexistir. #Crise econômica #Recessão no Brasil #Rede Globo