Nos últimos tempos, com o acirramento dos ânimos na política e os avanços do sectarismo, uma condição lastimável tomou conta das discussões políticas brasileiras: grande parte do ódio à esquerda, personificação do recalque de alguns pelo simples fato de os pobres passarem a acessar bens básicos, materializou-se numa aversão a um suposto comunismo praticado pelo PT e por outros partidos. Uma destas manifestações se solidifica no projeto do senador Magno Malta (PR-ES) que pretende acabar com a "doutrinação marxista" nas escolas, o "Escola sem Partido". Traduzindo: pretende impedir que os professores discutam os problemas sociais com os alunos, sob pena de ser acusados de "doutrinação". 

1. A ignorância de quem confunde "alhos com bugalhos"

O movimento observado na sociedade brasileira durante os governos de Lula e Dilma, podemos dizer, foram inclusivos no sentido em que trouxeram melhores condições sócio-econômicas à população.

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Prova disto foi a redução da miséria extrema, através dos benefícios de transferência de renda e a saída do país do Mapa da Fome da ONU. Mas isto não se assemelha a um regime comunista, nem no sentido da palavra e nem no sentido deturpado da palavra. Primeiro, porque em um regime comunista de verdade, tudo é público, não há miséria nem opressão, motivo pelo qual pode-se afirmar que jamais houve um sistema comunista de verdade. Segundo, porque naquilo que se chama no Brasil de "comunismo" de forma pejorativa, não se encontra na estrutura política do país (durante os governos citados) a eminência de uma "ditadura", com supressão de liberdades e nem de amordaçamento dos poderes constituídos. De forma que o assunto em questão é tratado com mais ignorância e com menos responsabilidade.

2. Longe de sermos igualitários, vivemos um processo de atraso educacional

O Brasil foi um dos países que conheceu mais tardiamente o processo de superiorização da #Educação, de forma que as primeiras universidades do país datam dos anos 1920/1930, no que configurou um grande atraso tecnológico e educacional para o país.

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A partir dos anos 1960, ao mesmo tempo em que vivíamos a efervescência das universidades, tínhamos uma educação primária defasada e bancária, no sentido freiriano de memória como "depósito" de informações.

Pelo menos três grandes sociólogos brasileiros tentaram transformar a educação do país em uma educação libertadora: Paulo Freire, Florestan Fernandes e Darcy Ribeiro. Entretanto, nenhum destes grandes mestres viu seu pensamento materializado no ensino e aprendizagem. É por isto que nos protestos pró-impeachment chegamos a ver faixas com os dizeres "menos Paulo Freire". Porque, infelizmente, a nossa educação não liberta o pensamento.

3. A Escola Sem Partido

Este projeto retrógrado e conservador nada mais é que a destruição da pouca liberdade de expressão que tem os professores nas salas de aula. Bem que poderíamos, antes de pedir uma "#Escola sem partido", pedirmos uma "mídia sem partido", para começar.

Por trás desta aparente máscara de isenção, o que temos na verdade é um discurso arraigado na destruição do estado laico e que visa suplantar a liberdade de expressão e pensamento, em nome de um suposto ataque "à moral e aos bons costumes".

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Ora, eles querem impedir que se fale em preconceito, em homofobia, em discriminação às religiões africanas. E eu questiono: que sociedade seria a nossa, em 20 anos, se a partir de hoje começássemos a pregar o respeito às diferenças de etnias, orientação sexual e credo religioso às nossas crianças? Eu tenho uma resposta: seríamos uma sociedade civilizada, onde todos aprenderiam o respeito acima de qualquer coisa.

É isto que está por trás desta infâmia.

Nota: O editorial Sociedade&Opinião traz opiniões dos redatores e não reflete uma ideia nem posição política da plataforma de notícias Blasting News.  #Senado Federal