Em meio a uma crise no sistema de #Saúde, o esquema que foi montado para atender as Olimpíadas Rio 2016 prevê que as unidades de referência, para o público olímpico, sejam os principais hospitais municipais da cidade do Rio de Janeiro: Souza Aguiar, Lourenço Jorge, Salgado Filho, Miguel Couto e Albert Schweitzer; além dessas, as Coordenações de Emergência Regional da Barra da Tijuca, do Leblon e do Centro e a Unidade de Pronto Atendimento do Engenho de Dentro.

“Leito bloqueado para as olimpíadas”, é o que diz o aviso de um Hospital Federal de Bonsucesso na Zona Norte do Rio de Janeiro. São pelo menos seis hospitais no total que estão com leitos ociosos.

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Isso porque, hoje, o Rio tem um déficit de mais de 7 mil leitos.

Ministério da Saúde tentou se defender dizendo que os leitos são de retaguarda e servem exatamente para atender situações de emergência, ou seja, os prontos atendimentos que ocorrerem durante as Olimpíadas, e que não estão bloqueados – como diz a placa. Mas há informações, da parte da administração hospitalar, que, desde o dia 12 de julho, 135 vagas não estão sendo ocupadas.

Há relatos de vários pacientes que foram informados, em cima da hora, que suas cirurgias tinham sido desmarcadas. Pacientes que estão na fila de espera há meses – tal fila é apelidada pelos cariocas de “fila da morte”. Existe hoje no Rio um contingente de mais de 12.000 pacientes esperando para ser atendido pela rede pública de saúde. Infelizmente, muitos morrem antes de conseguir um tratamento.

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Olimpíadas para quem?

A sensação do carioca é categórica: “essa festa não é nossa”, que a cidade não é mais nossa, que as ruas não têm mais livre acesso e que os hospitais não são mais nossos. Tudo que foi projetado para as Olimpíadas 2016 foi pensando no turista, no que vem de fora. Carioca não tem nada contra o turismo, mas, em relação à saúde, a realidade é dura, o turismo não pode ser colocado em primeiro lugar. Isso é um desrespeito da maior qualidade com o cidadão mais humilde.  

Infelizmente, o que ocorre é uma super-maquiagem na realidade da cidade. A cidade virou um verdadeiro comercial de margarina. O governo providencia tudo que a gente não tem; primeiro segurança e agora saúde. Um leito não pode ser reservado para “foliões”, ou melhor, amantes do esporte, para dizer que “pode vir que vai tudo certo”. O Rio tem problemas sim e isso tem que ser visto. O turista que entre na fila. #Rio2016