Depois do debate de Marcos Feliciano e Felipe Neto, o Youtube está um verdadeiro caos hermenêutico e semântico. Todos os opinadores de plantão estão caindo no pé do pobre rapaz que afirmou ser do hebraico a palavra “Malakoi”. E não somente no pé dele como também no de Marcos Feliciano que é teólogo “doutor em Divindade”, já escreveu mais de 70 livros a respeito da bíblia, além de já ter lido mais de 700. Mas não conseguiu perceber um erro simples sobre um termo bem especifico escrito em seu manual sagrado – termo este que, dado sua errônea interpretação, pode matar gente.

Para quem está perdido sobre o assunto, primeiro gostaria de te ajudar a se localizar.

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Os sujeitos em questão estão discutindo sobre bíblia e a homossexualidade. No Novo Testamento – segunda parte da bíblia – onde Jesus aparece, e também seus discípulos e apóstolos – tem uma parte onde aposto Paulo diz: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.”(1 Coríntios 6:10)

Isso mesmo que você leu, o apóstolo Paulo escreve isso. Mas, diferente de Feliciano e Felipe Neto, não podemos esquecer que isso foi escrito em grego. E foi traduzido para o português desse modo como aí está. Tenho certeza que você já faz uma ideia de quem Paulo está excluindo do “reino de Deus” aí. Pois é, o nosso entendimento histórico ocidental faz isso com a gente.

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E, para piorar, alguns tradutores fizeram questão de traduzir esses termos literalmente como: efeminados = homossexuais passivos e sodomitas = homossexuais ativos.

Entretanto, historiadores e teólogos sérios afirmam que essas duas palavras não devem ser entendidas dessa forma. O que ocorre de fato é que, tais termos expressam muito mais machismo do que homofobia. Infelizmente, não deixa de ser ruim, não é? Mas encontraremos a raiz do problema.

Primeiro, a palavra Malakoi significa: “macio, suave e gentil”. Tais características te lembram alguém? Uma mulher, talvez? É justamente isso, como uma mulher. O errado, no pensamento judaico, é homem com características femininas – que tem modo de mulher. Por isso, a tradução para efeminado. E, a palavra sodomita está mais clara ainda: “aquele que tem relação sexual com homem ‘se passando por uma mulher’”.

No pensamento judaico, ser mulher é ser menos que homem. Quando um homem se assemelhava a uma mulher era como se ele estivesse se rebaixando.  O termo sodomia ganhou essa conotação porque na cidade de Sodoma os cidadãos não eram nada receptivos.

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Quando chegava alguém novo na cidade eles humilhavam essa pessoa para mostrar que eram superiores. Isso se dava exatamente com a prática da violência sexual (com sexo anal), no sentido de rebaixar o homem. Não tinha nada a ver com homoafetividade. Não tinha afeto, o prazer se dava na prática da humilhação, isso é, era como dizer “quem manda aqui é a gente – vocês são como nossas mulheres”. É por isso e por outras que essas palavras tão polêmicas fazem lembrar, antes de tudo, do nosso machismo de cada dia. #Igreja #Religião #Dentro da política