Todas as sociedades que se encontram distante do desenvolvimento sociocultural tem por característica o constante processo da desconstrução do cidadão pelo indivíduo, fenômeno que pode ser bem observado nas diferentes camadas sociais e esferas de poder, e a política é uma delas.

Não há desculpas, por exemplo, quando pelo voto se emprega continuamente sempre os mesmos, seja por reeleger quem já muitas vezes foi eleito, sem comprovar qualquer relevante serviço à nação, seja por eleger aqueles que comprovadamente não possuem qualificação para o cargo.

Ora, uma sociedade que assim pensa e age só serve a caprichos mesquinhos e é mais grave por serem ações recorrentes, o que denota não ser uma cegueira momentânea.

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Recorrentes também são as ações marginais praticadas por aqueles que se elegem graças à falta de discernimento dos eleitores como é o caso do “toma lá dá cá” no #Senado Federal.

Em 2011, a ONU fez um levantamento onde apontava que os membros do Congresso brasileiro eram os mais caros do mundo entre 109 nações. O custo por parlamentar no Brasil naquela época superava países como Dinamarca, Alemanha, França e Japão. Esse custo está relacionado não só aos altos salários pagos aos parlamentares, mas também à farra do empreguismo, proporcionada por políticos a cabos eleitorais, que toma o nome de assessores, tudo com o aval da lei, uma lei suspeita, redigida e aprovada por eles próprios.

Agora, em 2016, um novo levantamento mostra que os nossos senadores continuam contratando em grande número cabos eleitorais para trabalharem em seus gabinetes e escritórios de representação, todos pagos com dinheiro público, isto é, dinheiro vindo dos contribuintes através de seus impostos, contribuintes que em sua grande maioria estão alijados dos serviços públicos essenciais como segurança, saúde, transporte e educação.

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Nesse último levantamento, é possível ver que o Senador Hélio José, do Distrito Federal (PMDB), por exemplo, tem 86 assessores. O Senador Elmano Férrer, do Piauí (PTB), tem à disposição 80 assessores. Já o Senador Ivo Cassol, de Rondônia (PP), tem 67 cargos comissionados, enquant que o Senador João Ribeiro, Tocantins (PR), tem 53 assessores no gabinete e escritórios políticos. O Senador Clóvis Fecury, Maranhão (DEM), tem 56 assessores em seu gabinete em Brasília e o Senador Fernando Collor, Alagoas (PTB), tem 54 comissionados em seu gabinete, só para citar algumas das nossas “excelências”. A França, por exemplo, permite apenas cinco auxiliares por congressista.

Todavia, essa prática delituosa que envergonha (não envergonha aos que praticam), mas a esses serve para que vivam o melhor dos seus dias e proporcione aos seus a continuidade de uma vida social contrária à ética, à moral e à justiça e, portanto, ao desenvolvimento de sua própria nação, tudo graças à falta de discernimento do cidadão em particular e da sociedade em geral.

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Tamanha falta de raciocínio serviria bem aos desejos do apologista cristão do segundo século, Tertuliano, quando disse: “Eu não me refiro àquela alma que se formou na escola, treinada na biblioteca, que se alimentou na Academia (escola fundada por Platão) e nos Pórticos da Grécia e agora dá seus arrotos culturais. É a ti que chamo; alma simples, ainda no redil, não manipulada ainda privada de cultura. Preciso da tua ignorância.”

Por isso não há diferença nesses que escolhem a profissão política e Tertuliano, a bem dizer, são os nossos políticos, os novos Tertulianos que estarão sempre em busca dos mais ignorantes e não há outro caminho possível para mudar esse quadro político-social, que o investimento na educação infantil, essa é a geração que se ensinada e educada, pode de fato transformar o Brasil. #Comportamento #Congresso Nacional