A 31ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Abismo - referência às tecnologias de exploração de gás e petróleo em águas profundas, além da evidência de que este tipo de esquema, investigado pela Polícia Federal, levou a Petrobras às profundezas da #Corrupção e da má gerência do dinheiro público -, chegou ao samba brasileiro.

Isto porque, Alexandre Romano, ex-vereador petista de Americana, interior de São Paulo, fez chegar ao conhecimento da Procuradoria da República que ele, a pedido do ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, fez depósitos da ordem de R$ 61,7 mil à Viviane da Silva Rodrigues, madrinha de bateria da escola de samba Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga, de Porto Alegre (RS).

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Chambinho, como é conhecido o ex-vereador, é um dos delatores da Lava Jato e entregou os recibos das transações bancárias que foram realizadas em 18 parcelas, entre 2010 e 2012.

Ferreira foi preso no fim de junho pela Custo Brasil, outra operação da Polícia Federal com foco no levantamento de pagamento de propinas em contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Foi nesta investigação que o ex-ministro petista Paulo Bernardo também foi detido.

Mesmo estando já encarcerado, a Procuradoria da República pediu a prisão de Paulo Ferreira, desta vez pela Operação Abismo, argumentando a petição por ter em seu poder documentos comprometedores que tornam-se provas claras das ligações dos recebedores dos recursos desviados com o ex-tesoureiro do PT.

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A sambista recebeu suas parcelas provenientes de R$ 39 milhões obtidos através das obras contratadas para o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), realizadas no Estado do Rio de Janeiro. O benefício aconteceu, segundo a Procuradoria, por Viviane ser um canal de comunicação entre Paulo Ferreira e blocos de carnaval e, assim, manter estreita relação de amizade com o ex-tesoureiro.

Em seu despacho para a solicitação da prisão de Paulo Ferreira, o juiz federal Sérgio Moro relatou a presença de comprovantes bancários que evidenciam as dezoito transferências de valores realizados à madrinha de bateria.

Para comprovar ainda mais a ligação do petista com o samba porto-alegrense e seus repasses de propinas às instituições do ritmo na capital do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal anexou vídeos e postagens em redes sociais que relatam a comemoração do aniversário do ex-tesoureiro no Cais do Porto, no centro da cidade, e homenagens feitas a ele pelas agremiações sambistas. #Governo #Crise-de-governo