No Brasil, a chamada Teologia da Libertação (TdL) é bastante conhecida, tendo, como seu principal expoente, o filósofo, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. A Teologia da Libertação foi cunhada sob as ciências do homem e da sociedade, ou seja, ela lê a conjuntura sob a ótica sócio-analítica para, posteriormente, trabalhar a hermenêutica da fé, que pode ser resumida em “como ajudar”. Tal mediação sócio-analítica é o instrumento de aprofundamento teórico – o “ver”, onde o fiel se norteia a partir das ciências sociais para uma profícua análise da realidade que o circunda – usualmente sob a lente do marxismo. Por conseguinte, a mediação hermenêutica tem-se a interpretação das Escrituras e das tradições cristãs pautada pela situação política e social determinada, isto é, uma sócio-teologia que tem como objeto o pobre.

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Na vertente evangélica, fruto indireto da Reforma Protestante desencadeada por Martinho Lutero no século XVI, algo semelhante aparece na figura da Teologia da Missão Integral (TMI). Movimento que foi muito influenciado pela Teologia da Libertação. A TMI nasce da revisão missiológica e da reflexão dessas missões a partir do contexto da América Latina no Congresso de Evangelização Mundial de Lausanne, que aconteceu na Suíça em 1974. O movimento evangelical é redimensionado a partir de Lausanne e influenciado pelo pacto que foi assinado. A partir do Pacto de Lausanne ocorreu uma mudança paradigmática no movimento evangelical latino americano, teve ênfase na evangelização e responsabilidade social cristã.

Em suma, a TMI nasce e se desenvolve num solo latino-americano, onde a pobreza e discriminação sociais são tomadas como o prisma na prática missionaria.

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A concepção antropologia-teológica da TMI postula o ser humano não dividido em partes, antes, o considera em todas as suas dimensões: bio-psico-socio-espirituais – a pessoa inteira em seu contexto. Coloca o foco na relação do indivíduo com seu contexto social, político, econômico, e etc. Isso simboliza a salvação dos homens de todo tipo de opressão. Assim, a proposta missionária insurgente feita na América Latina precisaria se preocupar de forma holística com o ser humano, com tudo que diz respeito a sua realidade histórica. “Isso significa que a fé cristã está inevitavelmente ligada às questões políticas e sociais, que outrora, tantas vezes foram negligenciadas”.

A Teologia da Missão Integral é extremamente criticadas pelas igrejas cristãs tradicionais. Tais concepções teológicas são vistas como fruto do marxismo, contraria as correntes mais conservadoras da política direitista. Isso porque é majoritário o número dos evangélico brasileiros que integram a camada reacionária da sociedade.

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O reacionarismo caracteristicamente cristão, enquanto agente político ativo, é representado, no Congresso Nacional, na figura da famigerada Bancada Evangélica. Que defendem conceitos como, por exemplo, pátria e família; mesmo que para isso tenha que trocar votos com a Bancada da Bala.

Enfim, o movimento do TMI segue se justificando dizendo que sua proposta não tem bases na teoria política de esquerda, mas sim no chamado Cristianismo Primitivo (linha de ação a qual a #Igreja tradicional histórica se afastou ao longo dos anos). Diferente dos considerados “esquerdistas cristãos” do movimento da TMI, os “representantes oficiais dos evangélicos” parecem não estarem muito preocupados com os pobres do Brasil; uma vez que, em termos sociológicos, este são os oprimidos. Na verdade, eles nem aceitam essa dicotomia: oprimido/opressor. - Mas esse é outro problema. #Religião #Dentro da política