Em manifesto publicado pelo jornal Le Monde, senadores franceses alertam para o que consideram o fim da democracia no Brasil, onde as máscaras caem de forma rápida. Diz o texto, o que já não é novidade para ninguém, que o afastamento da presidente Dilma foi uma manobra baixa do parlamento brasileiro para livrar a pele de muitos de seus legisladores a respeito do processo de corrupção. Em momento algum se considerou que a presidente foi legitimamente eleita pela maioria do povo, com mais de 54 milhões de votos.

Segundo a visão dos senadores franceses, o país aderiu a um Governo sem qualquer legitimidade e que não representa a grande diversidade da população brasileira, nem os seus anseios.

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Para corroborar suas ideias, citam que o governo interino de Michel Temer teve como primeira providência abolir o Ministério da Cultura, a Igualdade de Gênero e a Controladoria Geral da União, além de anunciar o fim do programa "Mais Médicos". 

O artigo publicado no jornal francês é duro e fala abertamente que o que houve no Brasil foi um golpe de Estado com objetivo de destruir as reformas sociais alcançadas no governo de esquerda, que tirou mais de 40 milhões de brasileiros da miséria. Cita ainda que Michel Temer escolheu para seu Ministro da Justiça o ex-advogado do grupo Primeiro Comando da Capital – PCC, Alexandre de Morais, e que sete de seus ministros estão envolvidos em casos de corrupção, sendo que dois deles, Romero Jucá, Ministro do Planejamento, e Fabiano Silveira, Ministro da “Transparência”, tiveram que renunciar depois que foi revelada a trama para derrubar a presidente, na qual os dois estavam implicados.

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E o próprio presidente interino, Michel Temer, foi condenado há 8 anos pelo Tribunal de São Paulo por fraudes nas contas de campanha.

Bem, tudo o que disseram os senadores franceses é do conhecimento dos brasileiros e tudo o que não disseram também, portanto, se pesarmos o que falaram e o que não falaram sobre um e outro governo, os pratos da balança só penderão para um lado, significando que toda a construção de ideias é suspeita.

Ora, o que precisamos entender é que a França desde há muito tempo está dividida entre esquerda e direita e, em 2011, pela primeira vez desde 1958, o governo conservador perdeu a maioria no Senado para a esquerda. De lá para cá as forças vem se equivalendo. Em 2014, a direita retomou a maioria no Senado impondo uma amarga derrota a François Hollande, que vê com a proximidade do fim seu governo, a triste estatística de uma economia desaquecida, com um déficit orçamentário na faixa de 4% a 5% desde 2010, uma crescente impopularidade do presidente, protestos da população contra os planos de reforma e a descrença total na classe política, além da delicada questão da islamização do país, que sofre com os recorrentes atentados.

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Fato é que a França sofre com a falta de uma democracia forte. O socialismo não vingou e levou o país para uma divisão perigosa e o manifesto publicado pelos senadores franceses a favor da Presidente Dilma foi prioritariamente assinado pela esquerda francesa.

Senadores pertencentes ao CRC (Grupo Comunista Cidadão Republicano), por analogia, são os mesmos que do Partido dos Trabalhadores ou PCdB, que em ato de lealdade, subiram à tribuna e defenderam suas teses e seus pares. Assim não podemos entender como sendo ideias sensatas e isentas em seu fundamento, mas comprometidas por sua ideologia. Todavia, não podemos admitir como sendo justas e corretas ações que o bom senso e o direito condenam como marginais. #É Manchete! #Ataque Terrorista #AtentadoNice