Em um relacionamento sério. Fotos montadas no Instagram, compartilhamentos de mensagens fofas pela rede. Os relacionamentos atuais têm se baseado nas aparências, não no real.

Queremos relacionamentos “perfeitos” que possamos exibir nas redes sociais. Alguém que nos acompanhe em nossos programas, que divida o lanche e as lamentações do dia a dia. Queremos alguém para preencher o vazio que a sociedade tanto nos cobra - “E os namoradinhos?” - Queremos responder essa famigerada pergunta de parentes em festas de família.

Temos a esperança de encontrar a pessoa certa um dia clicando em um botão. A tão sonhada alma gêmea é algo que queremos comprar pela internet.

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Lemos artigos de como conquistar alguém, como deixar a pessoa aos seus pés ou como manter um namoro. Como se o amor viesse com um manual de instruções. Amar é sentir e, de sentir a nos esquivamos, deixamos para uma próxima vez. Porque nós, investimos mais tempo nas aparências do que em nossas personalidades. E, mais uma vez, não queremos ter um parceiro.

Nós temos relações totalmente superficiais. Falamos ao telefone, por mensagens de texto, frequentamos baladas juntos, mas evitamos uma convivência mais íntima. Não nos damos a chance de criar conexões reais com outra pessoa. Permanecemos no superficial, no mais simples pois, encarar as responsabilidades de uma relação adulta requer muito esforço, disponibilidade e entrega.

Quando solteiros, sempre afirmamos a nós mesmos e ao mundo que o melhor é não se apegar.

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Evitar sentir para não sofrer, mas queremos um amor. A busca pelo “amor desapegado” pode ser a sentença de acabarmos sozinhos.

Queremos tudo que o amor pode oferecer: das cartas românticas às discussões de casal, mas não queremos nos entregar. Viver uma relação intensa, implica na possibilidade de perder o controle da situação, de sermos largados, de sermos dependentes. O que buscamos é bastante contraditório: queremos que arrebatem nossos corações, mas queremos continuar sendo independentes. E, isso, meus caros, não é possível.

O que temos atualmente são amizades coloridas. Trocamos encontros reais por nudes no Tinder, cervejinha depois do expediente e conversas pelo Watsapp. Pensamos que somos merecedores das recompensas de um relacionamento e isentos de seus riscos. Queremos o que há de melhor em ter um parceiro, mas sem fazer nenhum esforço para isso. Brincamos com os sentimentos alheios, mas viramos fera se ferem os nossos. O que não sabemos é que ao brincar com os sentimentos alheios, desrespeitamos a nós mesmos.

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Quando o amor realmente bate à nossa porta, fugimos. As relações começam a ficar mais íntimas, uma sintonia começa a existir, mas como nos baseamos no superficial e na prática do “não se apegar”, caímos fora na primeira oportunidade. Hoje em dia, as chances de se conservar um amor de verdade são pequenas. Como estamos habituados a seguir os caminhos mais simples de não se comprometer e sentir, esperamos por um botão mágico que ao apertarmos, acionamos “felizes para sempre”. Assim não dá, não é mesmo? Pessoas perfeitas não existem. Não somos como softwares que podem ser atualizados quando um probleminha aparece. No fundo, queremos esconder os nossos pensamentos mais sombrios – porque consideramos isso feio, indigno de ser compartilhado com alguém – das pessoas, inclusive das que queremos dividir a vida.

Nós somos condicionados a sentir que merecemos o amor. O “felizes para sempre” dos filmes é para todos. Aprendemos assim desde cedo. Porém, não nos ensinam que é preciso conquista-lo. E essa conquista tem a ver como entrega, com disposição, com afeto. Ter um parceiro não é ter um prêmio de consolação. É uma dádiva, um privilégio, que exige comprometimento.

Discutimos regras do jogo dos relacionamentos sem saber o que estamos jogando, pois não existem regras para ser feliz sozinho e nem acompanhado. Fugimos de um relacionamento que no fundo, queremos viver, mas jogamos qualquer oportunidade fora por medo de sermos nós mesmos. #Opinião #Comportamento