Para alguns, pode parecer que o mundo entrou em pane total. Foi a tentativa de golpe militar na Turquia no dia 15 de julho, deixando centenas de mortos, milhares de feridos e presos; ataque terrorista em Nice, na França, no último dia 14 e por fim, o momento de profunda divisão e incerteza política que permeiam a atmosfera no Brasil, o que comprova que o cenário mundial passa por rápidas transformações. Por exemplo, no Brasil, há a fala datada do dia 13 de julho do presidente interino Michel Temer em relação aos Jogos Olímpicos a serem realizados no Rio de Janeiro, quando recebeu no Planalto Central alguns dos atletas olímpicos que representarão o país na disputa, onde o mesmo frisou que os atletas em questão serão uma espécie de "embaixadores do Brasil nas Olimpíadas".

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No momento em que os olhos de praticamente todos os países estarão direcionados para o Brasil, Temer disse aos cerca de 60 atletas nacionais que se encontravam presentes, que esses deveriam se dedicar ao máximo para obter resultados perceptíveis para todos os espectadores.

Temer chega a ser ufanista quando insta que os atletas brasileiros conquistem excelentes posições ou índices de classificação nas primeiras posições, pois na medida em que 5 bilhões de indivíduos assistirão as Olimpíadas, poderão fazer uma correlação direta entre o bom desempenho dos atletas e a "pujança do esporte no Brasil", reiterou o interino.

Na realidade, o que Temer tem em mente, apesar das críticas severas dos políticos da oposição, parte da população e até mesmo de observadores internacionais e outros países, é que as Olimpíadas sirvam para mostrar ao mundo que no Brasil reina a democracia e as instituições em geral funcionam a pleno vapor.

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Provavelmente não é bem isso que pensam os quase 54 milhões de cidadãos que votaram na presidente afastada #Dilma Rousseff, que aguarda o julgamento do Senado brasileiro sobre o seu possível retorno ao Palácio do Planalto ou o afastamento definitivo por meio do processo de impeachment.

Jogos Olímpicos 2016, Copa do Mundo 1970 e ditadura militar

Essa história da relação entre política e esportes já aconteceu anteriormente aqui mesmo no Brasil, quando em 1970 a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato mundial na Copa do México e a ditadura militar em que o país estava mergulhado se utilizou disso como expediente para promover a propaganda dos militares. Inclusive, a taça Jules Rimet conquistada foi alçada pelo general presidente da época, Emílio Garrastazu Médici. 

Enfim, as forças armadas que governavam o Brasil queriam mostrar que havia felicidade e prosperidade na nação, só se esqueceram de anunciar aos quatro ventos que os presos e dissidentes políticos eram torturados, sacrificados e mortos nas cadeias e prisões.

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O que os cidadãos de bem realmente desejam é que tais fatos macabros da década de 70 parem por aí, uma vez que Temer para finalizar o seu discurso do dia 13 de julho, sublinhou que: "para nós (os brasileiros), é importante competir, mas também ganhar".

A ironia disso tudo é que Temer não ganhou os quase 55 milhões de votos para ser um presidente legalmente e moralmente eleito da República. #Rio2016 #Michel Temer