Nos últimos anos foi possível presenciar um incentivo incrível da humanidade em defesa da adoção de animais abandonados. Estima-se que existam 525 milhões de cães no mundo e que, pelo menos, 35% deles estão nas ruas, por sua própria sorte. A China, local onde essa emocionante história aconteceu, é um caso à parte neste assunto. Sabe-se que cachorros são uma iguaria chinesa e até mesmo por isso, o número de cães de ruas é muito menor que o de outros países. 

Entretanto um destes cachorros, apelidado de Gobi pelos corredores, mostrou que é bem mais do que apenas um prato típico regional. Na maratona desértica de Gobi de 155 milhas - uma corrida extremamente exaustiva, conhecida mundialmente e tradicionalmente disputada nos meses de março - enquanto os corredores se aprontavam e se alinhavam diante da linha de largada, o corredor escocês Dion Leonard percebeu que, mesmo estando muito longe de casa, ele não estaria sozinho. 

"No dia da largada, eu percebi que Gobi estava em pé, ao meu lado, me olhando.

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Ele fixou os olhos em mim por muito tempo, enquanto os árbitros explicavam o trajeto juntamente com as regras. Eu só conseguia pensar, bem, que bom que tenho uma torcida aqui na China, mas espero que ele não tente me seguir, pois se assim fizer, com certeza vai morrer. As condições aqui são extremas, até mesmo para nós atletas que possuímos treinamentos e equipamentos específicos para combater o deserto.", disse Dion

Mas nada disso foi o suficiente para conter o pequenino Gobi, que assim que foi dada a largada e iniciou-se a primeira parte da prova, que é dividida em três dias de 30km cada, mostrou que não desistiria facilmente do amor que ele havia recentemente descoberto por Leonard. O pequeno cão correu durante todo o dia, sempre ao lado de Dion.

Após perceber que o pobre filhote não conseguiria mais prosseguir sozinho, Leonard simplesmente abandonou suas chances de terminar em primeiro lugar, para carregar Gobi em seu colo.

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Durante os dias, o corredor escocês dividiu todos os seus suprimentos com o cãozinho chinês. Ao final do terceiro dia, eles cruzaram a linha final juntos. "Gobi me escolheu como seu dono e amigo eterno, vou fazer o meu máximo para isso se concluir", disse Dion.

No final da #maratona, Dion Leonard estava decidido a levar o pequeno Gobi para sua casa, na Europa, entretanto nem tudo ocorreu como o esperado. O governo comunista chinês é repleto de leis e burocracias, até mesmo para se adotar um cão de rua e levá-lo para outro país. Além de todos os papéis que teve de assinar, para levar seu mais novo companheiro para a casa, o atleta teria de desembolsar a incrível quantia de 10 mil dólares, um valor que o governo chinês estipulou para a "venda de um patrimônio do povo", por mais ridículo que isso seja, o amado filhote não sairia da China por um centavo a menos.

Dion, que não possuía a quantia, abriu um pedido de doações, em um site que reúne doadores dispostos a ajudar uma determinada causa e em uma semana conseguiu mais de 22 mil dólares.

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Agora ele voltará para a China a fim de trazer o seu companheiro para casa e o resto do valor doará para entidades chinesas que cuidam de cães de rua, incluindo uma onde Gobi está.  #Cachorro #doação