Acusado de assédio e estupro por uma militante do PSC Jovem, Marco #Feliciano gravou um vídeo afirmando sua inocência. Contudo, o caso vem chamando a atenção e se mostrando ainda mais intrincado, na medida em que Patrícia Lélis revela detalhes envolvendo não apenas Feliciano, que a teria assediado em mais de uma ocasião, mas também outros membros do partido, dentre eles o Pastor Everaldo (para quem não se lembra, ele foi candidato à presidência da república em 2014).

Após a acusação e vazamento de imagens de mensagens que teriam sido trocadas entre o deputado federal e Lélis, em que ele inclusive chega a intimidá-la, a jovem chegou a desmentir as notícias em um vídeo no qual aparecia ao lado de Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano.

Publicidade
Publicidade

Em um áudio de quase 30 minutos divulgado pelo blog Coluna Esplanada, Lélis e Bauer conversam sobre o ocorrido: enquanto a vítima confirma o #Assédio e faz menção à conduta do pastor que já seria conhecida do chefe de gabinete, este procura formas de amenizar a situação e até de inferir uma justificativa para os atos do deputado, mencionando a beleza da jovem.

Patrícia Lélis procurou, na sexta-feira, 5 de agosto, o delegado Roberto Pacheco, em São Paulo, para formalizar sua denúncia. Ela acusa Bauer de tê-la mantido em cárcere privado em um hotel na capital paulista, apesar de ele negar que tenha tido contato algum com a vítima - negativa que se mostrou falsa com a descoberta de um vídeo de câmeras de segurança que comprovam o encontro dos dois gravado em áudio por Lélis.

Além dos contornos de incerteza frente ao desenrolar da história, o que notamos é uma movimentação de membros do PSC e de grupos cristãos apoiadores de Feliciano na tentativa de evidenciar que a ex-militante merece desconfiança, por mentir com frequência e até por ter demorado a registrar a queixa formal. Um outro vídeo apareceu nas redes sociais, em que Lélis reafirma o assédio e diz ainda ter sido ameaçada de morte pelo Pastor Everaldo, após ter recusado sua oferta de dinheiro.

Publicidade

Não é a primeira vez que Marco Feliciano está envolvido nesse tipo de escândalo (para os curiosos, sugiro procurarem pelo embate do pastor-deputado com o reverendo Caio Fábio) e, por conta de seu poder e influência, sabemos que é perfeitamente cabível que a vítima tenha recuado devido a intimidações. O restante do Partido Social Cristão permanece omisso.

Para um partido político e para um parlamentar que falam sempre "em defesa da família", da "moral e dos bons costumes", o envolvimento com um caso sequer de assédio sexual torna evidente a hipocrisia e o cinismo que cerceiam esses líderes. Tudo se agrava ainda mais quando, em reação às acusações, agem com tentativas de extorsão, coerção, ameaças, procuram humilhar e difamar.

Patrícia Lélis não é a primeira mulher a ter sua condição de vítima questionada e, além dos percalços enfrentados por qualquer mulher agredida, enfrenta ainda o escrutínio e a pressão de uma sociedade que tende a responsabilizar muito mais as atitudes de quem sofre o estupro e vai a público do que o próprio algoz.

Publicidade

#Crime