O Brasil já conquistou, até a manhã desta sexta-feira (19), 15 medalhas nas olimpíadas. Deste total, 12 foram conquistadas pelos chamados "atletas militares". São atletas de alto rendimento que ingressam nas Forças Armadas por meio de um processo diferenciado e recebem salário militar e todo o apoio de uma equipe multidisciplinar para melhorar seus rendimentos. Apesar de serem chamados de "atletas militares", eles não têm as mesmas obrigações dos militares de carreira, não dormem nos quarteis e não ficam, por exemplo, "de guarda". As conquistas dos brasileiros foram celebradas por todos, mas um gesto de alguns atletas medalhistas gerou polêmica.

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Felipe Wu, Arthur Zanetti, Arthur Nory, Rafael Silva, Thiago Braz e Robson Conceição prestaram continência à bandeira no momento em que receberam as medalhas. O ato gerou críticas de algumas pessoas que veem no ato um resquício dos anos de ditadura militar vividos pelo Brasil. As Forças Armadas dizem que a saudação é opcional e que foi feita de forma espontânea pelos esportistas. Já o pesquisador Márcio Antonio Scalercio, professor da PUC e especialista na história das forças armadas, diz à BBC que a saudação é apenas uma estratégia de marketing.

De acordo com o professor, as forças armadas veem os atletas como um investimento em imagem, da mesma forma como fazem as empresas privadas. Trata-se de uma ação de marketing. A afirmação é refutada pelos militares. Para o o vice-almirante Paulo Zuccaro, diretor de Desporto Militar do Ministério da Defesa, as forças armadas já gozam da alta estima do povo brasileiro e não precisam deste tipo de investimento para ter uma boa reputação.

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O objetivo do Programa de Atletas de Alto Rendimento é apenas transformar o Brasil em uma potência olímpica.

Prestar continência é como estampar a marca de uma empresa na camisa

É inegável que o programa tem dado bons resultados ao Brasil. Mas também é inegável que, aos prestar a continência, os atletas estão dando visibilidade às Forças Armadas. Como no uniforme olímpico não é possível estampar os brasões das forças, bater continência no pódio dá o destaque necessário ao patrocinador do atleta, incentivando-o a continuar investindo naquele profissional. Em troca, recebem um salário de R$ 3,2 mil, benefícios e a possibilidade de treinar em instalações militares.  #Rio2016