No dia 16 de agosto, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com Paulo Tafner, de 58 anos, técnico aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e doutor em Ciência Política, apresentado como especialista em previdência devido ao tempo que trabalhou e pesquisou a respeito do tema.

Além de afirmar que o ideal seria o fim de regimes especiais para determinados trabalhadores e defender o sistema único, Tafner declarou não haver razão para que professores se aposentem cinco anos antes dos demais trabalhadores.

A fala do pesquisador revela sua preocupação única com os gastos excessivos da previdência e sua total ignorância em relação às condições às quais se submetem certos trabalhadores, o que explica a instituição de regimes diferenciados para determinados indivíduos.

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Além disso, ele contradiz sua própria condição de aposentado aos 58 anos de idade, quando afirma não ser mais possível que trabalhadores se aposentem aos 50 e defender uma transição para os 62 anos no caso de homens.

O Brasil é o país em que professores mais estão sujeitos a sofrer violência no mundo. Figura também na lista de países que destinam o menor salário para esses profissionais. Diversas pesquisas demonstram o quanto é recorrente a chamada "síndrome de burnout" (ou "síndrome do esgotamento") entre docentes devido a fatores como salas lotadas e indisciplina entre alunos, excesso de trabalho - pois ele não se limita às 40 horas semanais passadas em sala de aula -, necessidade de jornadas duplas (ou até triplas) para complementação do salário etc.

Realmente, não há justificativa para que professores se aposentem com cinco anos de antecedência se comparados aos demais trabalhadores, pois deveriam fazê-lo ainda antes, a fim de preservar sua sanidade mental e qualidade de vida relativa.

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Tafner chega a chamar de "escândalo" o fato de que, a cada aumento de R$1 concedido aos professores da ativa, o governo tenha de gastar R$4, em certos estados, nas aposentadorias, algo que impede a valorização da carreira, uma vez que leva à resistência em reajustar os salários.

Contudo, é curioso que não haja essa mesma resistência para se aumentar salários como os de políticos ou outros funcionários públicos - algo que certamente acarreta em maior gasto também com servidores estaduais aposentados. Portanto, se o sistema de aposentadoria especial para professores é fator negativo para a valorização da carreira, também não ajuda muito que outras carreiras sejam supervalorizadas - em detrimento da docência, já que os gastos que poderiam ir para essa área acabam em outros setores.

Sabemos que há uma necessidade de reforma previdenciária para se controlar os gastos no país, porém, a insistência em se afetar os já prejudicados docentes que atuam no ensino público não é uma saída inteligente, muito menos justa. #Educação #PrevidenciaSocial