Os corpos de quatro pessoas foram encontrados na manhã desta segunda-feira, 29 de agosto, na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. Nabor Coutinho de Oliveira, de 43 anos, teria esfaqueado a esposa e jogado os dois filhos do 18º andar, atirando-se em seguida. A família morava em um condomínio de luxo e Nabor era ex-funcionário da TIM Brasil, empresa da qual pediu desligamento em junho para se dedicar a um novo projeto.

Uma carta encontrada no apartamento da família, supostamente escrita pelo pai, relata insegurança em relação ao futuro e um "desgosto profundo por ter falhado". Ao que parece, a nova empreitada de Nabor não estava indo bem e ele se sentia rejeitado na nova empresa, com a qual teria assinado um "contrato desproporcional" (citando outro trecho de sua carta).

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O medo de deixar a família "na mão" e não ser mais capaz de sustentá-la levou uma pessoa aparentemente estável e segura de si ao desespero. Infelizmente, não se trata de um caso único: 1 em cada 5 suicídios, no mundo, é motivado por desemprego, segundo estudo realizado pela Universidade de Zurique. Durante a crise econômica de 2008, esse número chegou a aumentar, bem como na ocasião de recessão na Europa desde 2007.

Em uma sociedade que tem, nos indicadores econômicos, as principais medidas de sucesso, cada indivíduo é constantemente pressionado a dar o melhor de si para bancar um alto padrão de vida; não há espaço para falhar, muito menos para demonstrar vulnerabilidade ou insegurança. A busca constante por se tornar alguém bem sucedido, por vezes, leva a um esforço sobre-humano de forma ao indivíduo não ter mais vida para além dessa busca pela riqueza material que é vista como sinônimo de felicidade.

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O estímulo para se desenvolver um espírito competitivo começa ainda na infância - por meio da comparação, do estabelecimento de metas cada vez maiores, da crítica aos erros - e vai se intensificando conforme crescemos e atingimos a idade adulta - quando é esperado que já tenhamos ao menos um planejamento de como será nosso futuro, obviamente, baseado no sucesso financeiro.

Nabor foi apenas mais uma das pessoas que, diante da pressão esmagadora de ganhar cada vez mais, acabou sucumbindo. Sendo ainda um tabu, o #Suicídio não costuma ser noticiado sempre que ocorre - daí não termos tanto conhecimento de todos os outros casos similares -, mas se quisermos deixar às claras o quanto é perigoso o fato de nossa sociedade não tolerar o fracasso, precisamos continuar falando dele - e das vidas dessas pessoas que se matam. #Comportamento #Casos de polícia