As chamadas igrejas inclusivas, que acolhem pessoas LGBTTs, tiveram um crescimento exponencial após o atentado em Orlando, ocorrido em junho deste ano. No Brasil, elas são menos conhecidas, mas há um número considerável de instituições, formando, inclusive, a Aliança Nacional das Igrejas Cristãs Inclusivas (ALIANCI), que existe desde 2012.

Nos Estados Unidos, a maior parte dos fiéis que frequentam os cultos promovidos por essas igrejas, na verdade, não é formada por indivíduos LGBTTs, mas têm projetos específicos de acolhimento e apoio das minorias sexuais. O fenômeno das igrejas inclusivas não teve início apenas nos dias de hoje - a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, por exemplo, foi fundada em 1998 -, mas veio como um efeito esperado por parte dos líderes religiosos que perceberam o quanto é preciso mudar para se adaptar aos tempos.

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Em termos da interpretação bíblica, essas igrejas admitem a necessidade de contextualização e interpretação, focando, principalmente, nos ensinamentos éticos e morais da doutrina cristã. Diferente dos fundamentalistas, que pregam uma leitura literal da Bíblia - ainda que a façam em um outro idioma e com linguagem bastante diferente daquela à época em que foi escrita, o que, por si só, já anula a possibilidade de literalidade -, as linhas de pensamento inclusivas procuram mostrar como o texto bíblico foi, ele mesmo, sendo modificado a cada tradução, de maneira a atualmente conter até mesmo distorções e substituições deliberadas de certas palavras (como a própria concepção de "sodomita", hoje associada ao homossexual, mas que, em se tratando de cidadãos de Sodoma, estaria se referindo, na Bíblia, a indivíduos luxuriosos e não receptivos).

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É importante lembrar ainda que a palavra "homossexual" não existia no período em que os textos que compõem a Bíblia foram escritos, mas hoje até mesmo ela figura em algumas traduções. 

A comunidade LGBTT, oprimida estrutural e socialmente, tem na #Religião - principalmente em seus segmentos fundamentalistas - mais um fator de rejeição de suas identidades, sendo excluída e tendo suas práticas condenadas. Assim, muitas pessoas que procuram na religião uma forma de conforto existencial acabam se vendo negadas ao direito de exercer também a espiritualidade.      #LGBT